Dom Rodolfo Luís Weber
Arcebispo de Passo Fundo (RS)

A festa do Batismo de Jesus encerra o tempo litúrgico do Natal, tempo onde fizemos memória do nascimento de  Jesus, a presença junto à sua família e a visita dos Magos. Agora encontramos Jesus adulto indo ao encontro de João Batista para receber o batismo (Isaías, Salmo 28, Atos 10,34-38, Mateus 3,13-17). O batismo de Jesus nos leva a refletir sobre nosso batismo. 

Quando falamos de batismo, em primeiro lugar trazemos presente a vida da pessoa a ser batizada. Cada vida é única, desejada pelos pais e goza de uma dignidade inviolável. Cada ser humano, por natureza, é um dom e um ser sagrado. Depois, esta vida é agraciada com o Mistério da Vida Divina que Deus doa às criaturas mediante o renascimento pela água e o Espírito Santo. É a graça batismal. 

Na condição humana temos a experiência da vida, mas também da morte. Todas as criaturas vivas tem o seu início e o seu findar. No batismo o ser humano recebe a vida nova, a vida da Graça, que o torna capaz de uma relação pessoal com Deus e isto para sempre, nesta vida e para toda a eternidade. Infelizmente, nós humanos podemos sufocar a vida natural e espiritual, gerando a morte. Diante da fragilidade humana, Deus nos estende a mão, vem ao nosso encontro e oferece meios para vivermos no caminho da vida. 

O evangelho relata o batismo de Jesus no rio Jordão. Um batismo muito diferente do batismo cristão, mas que tem profunda relação com ele. No fundo, todo Mistério de Cristo que veio morar entre nós pode resumir-se com a palavra “batismo”. Jesus veio habitar, imergir na nossa realidade de pecadores, para nos tornar partícipes da sua vida: encarnou-se, nasceu como nós, cresceu como nós, e quando adulto quis receber o “batismo de conversão” dado por João Batista. O primeiro ato público de Jesus foi descer ao Jordão, misturado entre os pecadores penitentes. “João protestou, dizendo: “Eu preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?” Jesus porém respondeu: “Por enquanto deixa como está, porque devemos cumprir toda a justiça”. 

Por que Deus Pai quis que Jesus fosse ao batismo de João? O motivo é que Deus amou tanto o mundo que enviou seu Filho, não para condenar, mas para salvar. Ele é o cordeiro de Deus que veio assumir o pecado do mundo. Ao sair do batismo, “o céu se abriu e Jesus viu o Espírito de Deus, descendo como pomba e vindo pousar sobre. E do céu veio uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado”. 

Portanto, naquele momento foi revelado que Jesus é aquele que veio batizar a humanidade com o Espírito Santo: veio trazer vida em abundância, a vida eterna, que ressuscita o ser humano e o cura totalmente, corpo e espírito, restituindo-o ao projeto originário para o qual foi criado. A missão de Jesus foi doar à humanidade a vida de Deus, o seu espírito de amor. Quando alguém vai ao batismo sabe que a vida humana invoca uma plenitude e uma salvação que só Deus pode dar. Desta forma, os pais tornam-se colaboradores de Deus ao transmitir aos seus filhos não só a vida física mas também a vida espiritual. 

Cada vida humana, desde o primeiro momento, necessita de cuidados para crescer e ter saúde. Do mesmo modo, a vida espiritual recebida no batismo requer cuidados constantes para desenvolver as virtudes da fé, da esperança e da caridade. São as virtudes teologais próprias de quem recebeu o batismo. O batizado tem necessidade de conhecer, amar e servir a Deus para terem a vida eterna. A vela acesa entregue na celebração do batismo é sinal da fé em Cristo luz do mundo. Se faz necessário alimentar a chama da fé com a oração, a escuta e meditação da Palavra de Deus, da convivência na comunidade e o alimento constante da Sagrada Eucaristia.  

Louvado seja Deus pelo dom da vida. Louvado seja Deus pela graça batismal. Dois dons que proporcionam vida em abundância e vida eterna. 

 

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