Depois de tanta reclamação do povo judeu no deserto, apareceram serpentes que picava as pessoas. Estas morriam. Foi preciso a intercessão de Moisés junto a Deus para que houvesse um antídoto capaz de superar o veneno daqueles animais rastejadores. O milagre aconteceu. Quem olhasse para a serpente de bronze erguida a mando do Senhor ficava curado! Podemos avaliar também o veneno de tantas serpentes danosas de nossa realidade: concentração de renda versus miséria; terras e mais terras versus os sem terra; educação aprimorada para alguns versus grandes parcelas sem educação de qualidade; construção de grande acervo econômico e cultural feito com o suor e a vida de negros, pobres, índios e outros versus uso e domínio com desenvolvimento por parte de elites às vezes desrespeitadoras das culturas, das pessoas, das etnias… O veneno maligno do egoísmo humano tem provocado falta de segurança, agressão e morte a tantos!

Este tempo da Quaresma é propício à vida intensificada de oração, meditação na Palavra de Deus, sacrifício, prática da caridade e serviço aos necessitados, com o uso dos textos da Campanha da Fraternidade para a oração em família. Tudo isso são meios altamente coadjuvantes para o repensamento da vida com os critérios daquele que se deixou crucificar para nos dar vida. Passar pela cruz com Jesus, na renúncia ao veneno do desrespeito à vida do semelhante, faz-nos ter o antídoto eficaz para nos curar a partir de dentro de nosso eu, com reflexo na comunidade.

Todos querem vida próspera e sem males. Devido ao pecado ou egoísmo humano, não passamos sem os distúrbios da convivência insegura e violenta. Seguir a Cristo necessariamente nos envolve na cruz da renúncia a tantos atrativos para fazermos escolhas de mais e fecundo resultado posterior. Não conseguimos muito êxito em qualquer busca de valores se não nos exercitarmos na prática do bem. Renunciamos ao egoísmo para pensarmos e promovermos o bem do semelhante e de toda a comunidade. Não há paz sem promoção da justiça. Não há segurança sem envolvimento na solidariedade para superarmos os males na convivência social.

Com o Cristo da cruz, vamos à vida nova da ressurreição. Aceitamos o desafio de Jesus para superarmos tudo o que se opõe ao projeto de Deus. Querer um tesouro, por exemplo, nos leva a buscá-lo com esforço, boa vontade e perseverança. Sozinhos, podemos não conseguir o intento. Por isso, Jesus nos ensina o caminho. A Quaresma nos convida a aceitarmos seguir os passos d’Ele. Cristo sem cruz não é possível. Cruz sem Cristo é um desespero. Vamos então com Ele na direção de nossa plena realização.

Em Cristo nos tornamos criaturas novas, pois, nossa vida encontra a base para a segurança e a certeza de que Ele nos ajuda a superar nossos limites, pois Ele ressuscitou e nos dá garantia de vida plena.

Dom José Alberto Moura

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