As lições das eleições

A população, os eleitores e os candidatos, eleitos e derrotados, vivem sob o impacto do resultado das urnas; as esperanças e expectativas, as adversidades e decepções são as notas distintivas na vida de brasileiros, na maioria dos Municípios, dado que esse estado de espírito fica remetido para o dia 26 outubro, naqueles onde haverá o segundo turno das eleições. Os vencedores têm o futuro diante de si, com a posse e o exercício do mandato; os derrotados olham para o retrovisor e procuram enxergar as causas do insucesso; em ambos os casos, por certo, estão sendo levantados os “restos a pagar”, na contabilidade moral e financeira da campanha eleitoral.

Por diversas vias, extraem-se lições das eleições municipais de 2008. De antemão, merece um olhar atento o fenômeno da corrupção que ainda se constatou nestas eleições, porque persiste como mentalidade, como algo cultural; todavia, aos poucos, está sendo temido pelos candidatos e “cabos eleitorais”, em razão das penas estabelecidas na legislação vigente, sobretudo, com possibilidade de prisão, cassação do registro de candidatura ou do diploma eleitoral. Um elemento muito positivo foi a participação do eleitorado, certamente, em razão da obrigatoriedade do voto, mas também graças a uma consciência política que, aos poucos, se vai revelando no comportamento coletivo. Nesse sentido, a crescente participação de jovens eleitores, com o instituto do voto facultativo, é indicação de uma vontade de contribuir para uma mudança nos rumos da política, uma vez que eles se movem com ideais de transformação social; enquanto isso, segmentos da sociedade advogam mudança na legislação eleitoral, com a introdução do dispositivo da não obrigatoriedade do voto que poderá gerar apatia, omissão e descompromisso, perante os destinos da Pátria.

Por sua vez, a vigilância da sociedade, o papel formador da Igreja, da OAB e de outras entidades, a fiscalização dos partidos concorrentes, as ações do Ministério Público Eleitoral e as medidas dos Tribunais Eleitorais transformam-se em fatores determinantes da condução do processo eleitoral e da realização do pleito num clima de normalidade. Os debates no Rádio e na Televisão ajudam o eleitor a formar uma opinião ajuizada, levando-o a votar em candidatos, a partir de suas propostas, muito embora haja o voto do favor, da “gratidão”. A votação eletrônica, cuja eficiência ficou comprovada, mais uma vez, impede a manipulação das eleições, prática inescrupulosa que, no passado, forjava resultados, elegendo e derrotando candidatos, por ocasião da contagem dos votos.

A participação democrática nestas eleições ainda não chegou ao nível desejado porque, concretamente, registram-se acirramentos e confrontações entre candidatos e eleitores dos diversos Partidos e Coligações, durante a campanha eleitoral e após a proclamação do resultado da votação, num atestado de que, nesse assunto, a paixão supera a razão e o sentimento fala mais do que a lógica.

Efetivamente, emergiu dessas eleições um dado muito sintomático: uma expressiva renovação das Câmaras de Vereadores e a não recondução de muitos Prefeitos que buscavam a reeleição; os eleitores começam a se posicionar, criteriosamente, escolhendo candidatos em condições de exercer, com qualidade, o mandato eletivo e rejeitando aqueles que não têm a necessária credibilidade política.

Essa é a melhor lição: paulatinamente, população, eleitores e candidatos fazem uma melhor leitura sobre seu papel nas eleições.

Dom Genival Saraiva de França

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