Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba (MG) 

 

O Brasil tem um espaço territorial muito privilegiado, rico em todos os sentidos, diverso e cheio de oportunidades. Temos ainda as práticas irresponsáveis, até como paradoxo, que conduzem para a destruição. Mas, os objetivos devem ser aqueles de perseguir o bem, a felicidade das pessoas e da própria natureza. Tudo é dom de Deus, mas depende da participação humana, a destinatária dessa beleza. 

O batismo cristão é a participação no mistério da Paixão e morte de Jesus Cristo, e tem uma dimensão de responsabilidade, totalmente comunitária. Ele faz a pessoa lembrar da solidariedade de Jesus para com a humanidade. Assim, quem é batizado participa do mistério da vida de Deus e é eleito para servir e construir o mundo, no caso, o Brasil, de forma saudável, para todos terem vida feliz. 

Quando João Batista batiza Jesus nas águas do Rio Jordão, a partir daí começa o caminho de comprometimento histórico de Cristo, com um olhar totalmente imbuído de uma força regeneradora, para a construção da nova e moderna sociedade, mas toda ela voltada para a revalorização das pessoas humanas e a preservação da natureza. Esse fato dá a tônica e o sentido à narrativa do Novo Testamento. 

O Brasil é um país com as marcas do batismo, onde grande parte da população vivencia o itinerário da religiosidade cristã. Apesar da forte influência do secularismo moderno, nenhum cristão pode ficar totalmente isento do comprometimento pessoal de fazer da Nação Brasileira uma terra de muita prosperidade, de Ordem e de Progresso, conforme é anunciado pela Bandeira Nacional.  

É lamentável deparar com descomprometimento de muitos brasileiros. O que todos realizam, seja de bem ou de mal, acaba respingando, indubitavelmente, na vida dos outros, mesmo que seja ínfima na sua individualidade. O fato se avoluma quando praticado por autoridades, porque são munidas do poder de influenciar. As consequências são evidentes, seja para um lado ou para o outro. 

A Festa do Batismo do Senhor não deixa de ser “festa de fecundidade”, de benção para o mundo, de início de uma nova faze na história da Salvação. Ali Jesus é ungido pelo Pai para a missão, aquilo que acontece quando somos batizados no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Abre-se um novo cenário de conquista, de sacerdote, profeta e rei, e tem seu cume na cruz e ressurreição. 

  

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