Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba (MG)

 

 

Há um versículo bíblico, que retrata perfeitamente o sentido da expressão, “brilhar como luz”, quando o Evangelho diz: “Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte” (Mt 5,14). Deve ser vista.O brilho da luz, na vida do cristão, vem do batismo, da semente da fé presente em seu coração e exige testemunho de autenticidade nos compromissos do cotidiano. 

A liberdade é uma condição essencial para o cristão ser luz na sua conduta de vida. Sabemos que os desvios na conduta pessoal significam viver na escuridão, naquilo que desabona a qualidade da identidade individual. É fechamento em um mundo escuro, manchado de maldades, injustiça e práticas escusas de astúcias humanas. Essa não deve ser a conduta dos cristãos, batizados na luz de Cristo.  

Quem age como luz, ama, aproxima, consegue dar sabor para as relações e ilumina a vida dos outros. Essa é uma exigência contida na prática do sacramento do batismo, ou prática da fé cristã. Em outras palavras, significa seguir os passos do Mestre Jesus, que colocou sua vida para construir o bem das pessoas e da comunidade. Toda vida de Jesus foi de construir dignidade de seus seguidores. 

O brilho da luz está na caridade, na superação das injustiças e do egoísmo. Nas Bem-aventuranças Jesus fala de cobrir os nus, dar alimento a quem tem fome, visitar os presos etc. É perfeitamente o exercício da partilha de bens, dando, ao necessitado, o que favorece sua condição de vida humana. Esse é o caminho da luz, porque ser humano com o outro é abrir espaço para o sentido da existência. 

A luz da fé, que brilha nos corações e no testemunho que se deve dar para a comunidade, precisa estar ancorada no poder e na sabedoria de Deus. É a luz emanada das Bem-aventuranças, que, na prática, é como gesto humano de amor ao próximo, mas investida de espiritualidade divina. O brilho pertence a Deus, intermediado e sinalizado pela singela contribuição da pessoa humana. 

Ao conceituar a palavra luz, o Evangelho fala também de sal, que salga e conserva os alimentos. Sugere ação com estabilidade e firmeza, símbolo de perseverança. O sal também purifica, dá sabor e uma verdadeira energia vital diante dos momentos insossos, da escuridão provocada pelas maldades do mundo. Então, luz e sal refletem os propósitos de um cristianismo comprometido com a vida. 

 

 

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