Cardeal Orani João Tempesta, O. Cist
Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)
Celebramos, neste 1º de maio, a festa litúrgica de São José Operário. Temos a graça de celebrar São José duas vezes ao ano: em 19 de março, recordamos São José como esposo da Virgem Maria e pai adotivo de Jesus, bem como patrono universal da Igreja; e, no dia 1º de maio, recordamo-lo em seu ofício de carpinteiro, como protetor dos trabalhadores — por isso, São José Operário.
Tanto as paróquias que têm como padroeiro São José quanto as dedicadas a São José Operário podem celebrar de maneira festiva essa data. O dia 1º de maio é feriado nacional, o que facilita a participação na Santa Missa. Esse feriado marca o Dia do Trabalho e do Trabalhador; por isso, podemos ir à missa pedir a intercessão de São José por nosso trabalho ou para alcançar um emprego, caso estejamos desempregados.
Além de ser um dia de descanso e convivência familiar, que possamos participar da Santa Missa para agradecer ao Senhor pelo nosso trabalho ou pedir a graça de um emprego. Podemos até levar a carteira de trabalho para a celebração, agradecendo ao Senhor e a São José pela oportunidade de sustentar nossa família com o fruto do nosso trabalho.
São José foi sempre justo, fiel à Lei judaica, e acolheu a Virgem Maria e cuidou de Nossa Senhora e de Jesus com muito amor. De fato, era o chefe da Sagrada Família e, certamente, ensinou o ofício de carpinteiro ao menino Jesus. Peçamos ao Senhor, por intercessão de São José, que todos os pais sejam, à sua semelhança, responsáveis, dedicados à família e capazes de prover o pão de cada dia, além de ensinar aos filhos o valor do trabalho e da fé.
Muitas vezes, os pais são o exemplo para os filhos: se são responsáveis, têm um emprego e cuidam da família com carinho, os filhos tenderão a seguir o mesmo caminho. Por outro lado, quando falta responsabilidade e cuidado, isso também repercute na vida futura dos filhos.
Celebrar o Dia do Trabalho e do Trabalhador nos ajuda a refletir que todo trabalho é digno e que não existe função mais importante do que outra. O essencial é trabalhar com dignidade e garantir o sustento diário.
Infelizmente, ainda vivemos em um mundo marcado por discriminações, em que algumas pessoas se julgam superiores a outras,
sobretudo por causa do cargo ou de interesses dentro das empresas. Isso não deve acontecer: todo trabalho é digno, do mais simples ao mais elevado. Também ainda existe desigualdade entre homens e mulheres, especialmente nos salários, que muitas vezes são menores para as mulheres, mesmo quando exercem as mesmas funções ou até trabalham mais. É necessário que haja justiça e igualdade.
Peçamos, neste dia, que São José abençoe todos aqueles que têm trabalho, para que permaneçam firmes e exerçam suas funções com dignidade, sustentando suas famílias. Peçamos também por todos os desempregados, para que encontrem, o quanto antes, um trabalho digno.
O importante é não desistir. Quando estivermos desempregados e desanimados, não percamos a esperança: confiemos em Deus, por intercessão de São José Operário. No entanto, é necessário fazer a nossa parte, buscar oportunidades, sem esperar que tudo aconteça sem esforço. Tudo acontece no tempo de Deus, não no nosso. Além disso, não devemos desprezar oportunidades por considerar um trabalho melhor do que outro; todos os trabalhos são dignos.
Também é importante, na medida do possível, ensinar aos filhos o valor do trabalho, partilhar com eles o próprio ofício e mostrar que o trabalho dignifica a pessoa. Ensinar que, ao crescerem e constituírem família, é importante ter um emprego estável para honrar os compromissos e viver com dignidade.
A comemoração de São José Operário teve início em 1955, por iniciativa do Papa Pio XII. Na ocasião, a Praça de São Pedro estava repleta de fiéis, e o Papa, ao reconhecer a importância do Dia do Trabalho, deu a essa data um sentido cristão, valorizando o esforço e a dignidade do trabalhador.
Por meio dessa celebração, a Igreja eleva a Deus uma prece de gratidão por todos aqueles que, com esforço diário, garantem o sustento de suas famílias. O trabalho é necessário para a vida em sociedade, pois permite cumprir deveres, sustentar a casa e viver com dignidade.
Em nosso trabalho, devemos imitar São José: ser justos, responsáveis e comprometidos, tanto com os colegas quanto com os superiores e conosco mesmos. Realizar o trabalho com dedicação, sem murmurações, contribui para o crescimento da empresa e para o bem comum. O trabalho silencioso e bem feito é uma semente que dará frutos no tempo certo.
Somos chamados à santidade no cotidiano, inclusive no trabalho. Podemos santificar nossas atividades, oferecendo-as a Deus, rezando durante o dia ou no intervalo, testemunhando a fé e convidando outros a se aproximarem da Igreja. Assim, tornamos o ambiente de trabalho mais humano e fraterno. O trabalho realizado com espírito de oração agrada a Deus e santifica o trabalhador.
O trabalho deve ser também fonte de satisfação, pois é dele que tiramos o sustento e onde passamos grande parte do nosso tempo. Não deve ser apenas motivo de insatisfação, mas também de gratidão. Se temos um trabalho, é porque fomos abençoados por Deus, e devemos dar graças por isso.
Que São José Operário, modelo de todo trabalhador, seja nosso socorro e auxílio nas lutas do dia a dia. Que ele abençoe o nosso trabalho e conceda aos que ainda não têm emprego a graça de encontrá-lo. Sejamos fiéis ao trabalho, à família e a Deus, e também agradecidos àqueles que nos deram uma oportunidade.
Segue, para nossa devoção pessoal, a oração a São José Operário, composta por São Pio X:
Glorioso São José, modelo de todos os que se dedicam ao trabalho, obtende-me a graça de trabalhar com espírito de penitência, para expiação de meus numerosos pecados; de trabalhar com consciência, pondo o dever acima de minhas inclinações;
de trabalhar com recolhimento e alegria, considerando uma honra empregar e desenvolver, pelo trabalho, os dons recebidos de Deus; de trabalhar com ordem, paz, moderação e paciência, sem jamais recuar diante do cansaço e das dificuldades;
de trabalhar, sobretudo, com pureza de intenção e desapego de mim mesmo, tendo sempre diante dos olhos a morte e a conta que deverei dar do tempo perdido, dos talentos não utilizados, do bem que deixei de fazer e da vã complacência nos sucessos, tão prejudicial à obra de Deus.
Tudo por Jesus, tudo por Maria, tudo à vossa imitação, ó Patriarca São José!
Tal será a minha divisa na vida e na morte. Amém.
São José Operário, rogai por nós!
