Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos (RJ)
Ao iniciarmos a Semana Santa entramos com Jesus em Jerusalém e em nossa história carregando em nossas mãos Ramos que significam nosso seguimento de discípulos, nossa pertença ao Povo de Deus que caminha junto testemunhando a esperança do Reino.
Domingo de Ramos e da Paixão, dia de contrastes e vozes diferentes, dia de entusiasmo e de incoerências. Também hoje dentro e fora de nós acontecem essas atitudes contraditórias.
Por um lado queremos seguir e servir a Jesus, por outro o abandonamos quando a exigência da Cruz amorosa nos exige uma doação e entrega maior.
Vibramos com a purificação do Templo, mas depois buscamos as vezes sem conciência outras modalidades de fé superficial e de barganha, unidas a espectativas de falsa prosperidade.
As crianças e os jovens de Israel na sua inocência e limpidez expressam melhor a sua adesão a Jesus, enchergando mais próximos a Jesus como alguém que transcende as versões interesseiras ou do poder dominação, para nos dar acesso a uma vida nova, mais plena e mais digna de filhos de Deus.
A semana santa, considerada desde sempre como a Semana Maior, da Misericórdia e Clemência de um Deus que morre em nosso lugar, derramando seu sangue para gerar vida em abundância oferece e irradia libertação integral para todos/as.
No coração do Ano Litúrgico não fiquemos no palco ou assistindo o mistério e o drama da nossa salvação como meros espectadores ou turistas espirituais mas mergulhemos de cheio não só nos ritos mas no itinerário espiritual das trevas para a luz, do ódio para o amor, do desespero e indiferença para a esperança, do medo para a confiança e entrega, configurando-nos com o Crucificado e identificando-nos com seus sentimentos, dores e angústias para vencer com Ele a morte.
Caminhando inseridos no seu Corpo a Igreja, que nasce e brota do seu Coração aberto e ferido na Cruz. Da qualidade da vivência e autenticidade com que celebramos esta semana, será também a intensidade, vigor, e força da nossa vida interior e apostolado, do nosso testemunho e compromisso social com os pobres.
Morramos com Ele para ressuscitar com Ele, para uma vida luminosa, frutuosa e contagiante, semeando paz, bondade, justiça e ternura para todas as pessoas e criaturas, sendo sinais vivos e transbordantes da Nova Criação em Cristo Ressuscitado.
Tenhamos o rosto do Ressuscitado e as marcas do Crucificado, promovendo a vida, os direitos sociais, particularmente o direito a uma moradia digna, e a reconciliação de tudo e com todos tornando a Terra inteira um lugar acolhedor, habitável e onde a bem querência faça de todos os povos e nações uma só família. Deus seja louvado!
