Dom Roberto Francisco Ferrería Paz
Bispo de Campos (RJ)
Ao meditar sobre os encontros pascais dos apóstolos e da comunidade de discípulos com o Ressuscitado, vemos que, além de revelarem a presença de Cristo vivo, são narrativas de reconciliação que curam as feridas e as imagens aterradoras da morte do seu amado Mestre. Jesus tem a iniciativa de aparecer e ir sanando e renovando os vínculos de amor e entrega dando-lhes repetidamente a saudação da paz, recomeçando uma existência e relação luminosa e surpreendente para eles e com eles.
Desta maneira, a espiritualidade Pascal abre para a Igreja e toda humanidade uma nova perspectiva, um caminho aberto para a vida plena e reconciliada com Deus, com tudo e com todos, sendo sinal inequívoco de uma nova Criação.
Por isso, o anúncio de Cristo Ressuscitado transmite uma comunicação amorosa que convida a participar da formação de uma nova humanidade, de uma sanação e libertação do ódio, das inimizades, do rancor e da violência homicida.
Não seria coerente nem credível anunciar a alegria da Páscoa com uma espiritualidade de combate ou com uma linguagem e atitudes de julgamento condenatório, de agressividade contra grupos, etnias, ou formas de pensamento divergente, ou ainda injuriar e discriminar pessoas que se consideram perdidas.
O Pe. Zezinho – conhecido compositor e, como ele quer ser chamado, catequista católico, – conclama para uma espiritualidade reconciliatória não violenta, dialógica e clemente, pacificadora e iluminadora, buscando convergências, pontos de acordo e praticando a cultura do encontro e a amizade social que o Papa Francisco apresentou com inspiração e bondade.
Ressuscitar e renascer na Páscoa implica, entre outras atitudes, tornar-se artesão da paz, ponte, mediador, embaixador do perdão e da paz. Deixemos o homem e a mulher velhos para trás, superemos as polarizações e as narrativas fechadas e cristalizadas na intolerância, demos chance a graça e a paz, frutos do dom de Deus o Espírito Santo. Cultivemos sim a comunhão fraterna, ampliando e espraiando a Tenda da nossa comunidade, família e do próprio coração, a todas as pessoas e criaturas, fazendo acontecer o humanismo solidário, a civilização do amor e da ternura, que derruba muros e barreiras de incompreensão, desconfiança e indiferença construindo novos laços, relacionamentos e vínculos para testemunhar com alegria a presença e esplendor da vida do Ressuscitado entre nós. Deus seja louvado!
