Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo! Amém 

Dom Rodolfo Luís Weber
Arcebispo de Passo Fundo (RS)

 

“A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós”; com esta saudação São Paulo conclui a 2ª Carta aos Coríntios. 

A liturgia celebra a solenidade da Santíssima Trindade. Somos convidados a louvar a Deus não simplesmente pelas maravilhas que realiza em favor de suas criaturas, mas pelo modo como Ele é. Somos convidados a contemplar o “coração de Deus”, a sua realidade mais profunda. O prefácio da missa professa rezando: “Com o filho Unigênito (Jesus Cristo) e o Espírito Santo, sois um só Deus e um só Senhor. Não uma única pessoa, mas três pessoas num só Deus. Tudo que revelastes e nós cremos a respeito de vossa glória, atribuímos sem diferença ao Filho e ao Espírito Santo.  Portanto, proclamando nossa fé em vossa verdadeira e eterna divindade, adoramos cada uma das pessoas, na mesma natureza e igual majestade”.  

Diante de Deus Uno e Trino, ou da Trindade, somos convidados a contemplá-lo, mas também penetrar e compreender o mistério divino. O mistério da Trindade nunca poderemos compreender totalmente com a nossa mente, mas podemos penetrar nele. O oceano não conseguimos abraçar, mas conseguimos entrar nas águas e nos deixar envolver por elas. A revelação divina deixou-nos meios para mergulharmos no mistério trinitário. 

Os textos bíblicos da liturgia apresentam algumas características de Deus (Êxodo 34,4-6.8-9, Daniel 3,52-56, 2 Coríntios 13,11-13 e João 3,16-18). Moisés grita diante do Senhor: “Senhor, Senhor! Deus misericordioso e clemente, paciente, rico em bondade e fiel”. Depois suplica: “caminha conosco”, “perdoa nossas culpas e nossos pecados e acolhe-nos como propriedade tua”. Daniel convida a louvar e bendizer a Deus por ser o Deus de nossos pais, ser santo e glorioso, ter poder vitorioso, conhecer as profundezes e estar acima de todas as criaturas celestes. São Paulo afirma que o “Deus do amor e da paz estará convosco”. O evangelista recorda que “Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas que o mundo seja salvo por ele”. 

Crer na Trindade tem repercussões práticas na vida cristã, pois tudo o que se crê é celebrado e deve ser vivido. Toda vida moral cristã se fundamenta no modo de ser de Deus e dos seus ensinamentos. A solenidade da Trindade de modo especial convida a viver, rezar e aprofundar o tema da unidade na diversidade. Convida a cultivar uma espiritualidade da unidade. A espiritualidade cristã é viver impregnado do espírito de Deus que envolve toda vida do cristão. 

Por que é tão difícil a unidade?  Porque se quer fazer a unidade em torno de “nosso ponto de vista”. Isso nos parece tão óbvio, tão razoável, que nos causa estranheza o fato de que os outros queiram afirmar seu ponto de vista. Traçamos para os outros, até delicadamente, o caminho para vir até onde nós estamos e alcançar-nos em nosso centro. O mal é que o outro que se encontra diante de mim está fazendo exatamente a mesma coisa comigo. Por essa via não se alcançará qualquer unidade.   

A Trindade nos indica o verdadeiro caminho para a unidade. Insistentemente Jesus ressaltou a sua união com o Pai e o Espírito Santo. São três pessoas divinas agindo em plena comunhão, onde cada ação é ação de todos. Nesta certeza de fé, São Paulo afirma que a comunidade cristã deve viver deste modo. Para tal, usa da imagem do corpo humano. Somos membros uns dos outros, há um só corpo e um só espírito, quando uma parte do corpo sofre, todo corpo sofre. 

O Papa Francisco, em 2021, convocou o Sínodo sobre a sinodalidade tendo por referência três temas fundamentais: comunhão, participação e missão. O Documento final recorda ensinamentos perenes da Igreja sobre a unidade. “Do batismo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo brota a identidade do Povo de Deus. […] “Toda vida cristã tem a sua fonte e o seu horizonte no mistério da Trindade, que suscita em nós o dinamismo da fé, da esperança e da caridade’ (n.15). Sinodalidade é o caminhar juntos dos cristãos com Cristo e para o Reino de Deus, em união com toda a humanidade. Enfim, crer na Trindade implica que o cristão seja no mundo e na Igreja um instrumento de unidade nas coisas essências.  

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, como era no princípio agora e sempre. Amém. 

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