A Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) promove, de 6 a 10 de julho, na sede da Conferência, em Brasília (DF), o Encontro dos Bispos de Recente Eleição. A iniciativa reúne os bispos nomeados e ordenados, de julho de 2025 até junho deste ano, para um período de formação, convivência fraterna e aprofundamento sobre a missão episcopal no contexto da Igreja no Brasil.
Ao longo da semana, os participantes refletem sobre temas fundamentais para o exercício do ministério episcopal, entre eles: formação presbiteral, responsabilidade e missão do bispo; o múnus de santificar e a liturgia; a missão do bispo no mundo contemporâneo; iniciação à vida cristã; gestão eclesial; história e atuação da CNBB; além das Campanhas da Fraternidade e da Evangelização.
Segundo o presidente da Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB, dom Ângelo Mezzari, o encontro responde a uma necessidade concreta da vida da Igreja, já que não existe uma formação específica para quem é chamado ao episcopado.
“A nomeação para o episcopado sempre causa uma grande apreensão. Não há uma formação específica para ser bispo. Por isso, toda oportunidade que permite conhecer melhor o ministério episcopal e a vida da Igreja contribui para que esse serviço seja exercido com maior serenidade e segurança”, afirmou.

Dom Ângelo destacou que o encontro proporciona aos novos bispos um conhecimento mais aprofundado sobre a estrutura e o funcionamento da CNBB, além de favorecer a vivência da colegialidade episcopal.
“É um momento de partilha, convivência e fortalecimento da fraternidade episcopal. Os bispos têm a oportunidade de conhecer a sede da CNBB, compreender melhor sua organização e refletir sobre temas que fazem parte do cotidiano do ministério episcopal, desde a formação presbiteral, liturgia e catequese até questões de gestão, administração e direito canônico”, explicou.
Neste ano, participam do encontro 16 bispos de recente eleição, provenientes de diferentes regiões do país. Para o presidente da Comissão, essa diversidade enriquece a experiência formativa.
“Temos representantes de grandes metrópoles, bispos auxiliares, bispos diocesanos e realidades muito distintas. Essa diversidade favorece a troca de experiências e fortalece a comunhão entre aqueles que iniciam o ministério episcopal.”
Os desafios do ministério episcopal
Ao abordar os principais desafios enfrentados pelos novos bispos, dom Ângelo ressaltou a complexidade do cenário atual da Igreja e da sociedade.
Entre os aspectos apontados estão a diversidade cultural das dioceses, os desafios da evangelização no contexto urbano, a realidade das dioceses situadas em regiões rurais, a escassez de presbíteros, a sustentabilidade econômica das dioceses e a crescente necessidade de uma gestão eficiente.
“A realidade da Igreja hoje é bastante complexa. Há desafios pastorais, administrativos, econômicos e também humanos. A falta de presbíteros, por exemplo, exige um esforço ainda maior na formação e no cuidado com o clero. Ao mesmo tempo, cresce a importância da colaboração dos religiosos, religiosas, leigos e leigas na missão evangelizadora”, observou.
O presidente da Comissão também destacou que o episcopado representa uma profunda mudança na vida do sacerdote chamado a esse ministério.
“Muitas vezes o bispo muda de cidade, de estado ou até de região. É uma nova realidade, que exige fortalecimento da vida espiritual, da oração e da comunhão com o presbitério. É importante que o bispo saiba que não está sozinho e exerça seu ministério com serenidade e confiança.”
Formação permanente e acompanhamento
Além da semana de formação promovida pela CNBB, os novos bispos participam, posteriormente, de um encontro organizado pela Santa Sé, em Roma, destinado aos bispos recentemente nomeados em todo o mundo.
Dom Ângelo explicou que os dois encontros possuem enfoques complementares.
“O encontro realizado em Roma aprofunda as grandes questões teológicas, pastorais e do magistério relacionadas ao episcopado. Já aqui na CNBB tratamos mais dos aspectos concretos da vida cotidiana do bispo, oferecendo orientações práticas para o exercício da missão.”
Para ele, uma das maiores contribuições da iniciativa é fazer com que os novos bispos sintam-se acolhidos e acompanhados pela Igreja no Brasil.
“Esse é o papel da CNBB e da Comissão para os Ministérios Ordenados: fazer com que os bispos sintam que não estão sozinhos. Todos nós temos sempre muito o que aprender, e esse caminho de comunhão fortalece o serviço que prestamos ao povo de Deus.”
Participantes
Participam desta edição do Encontro dos Bispos de Recente Eleição:
- Dom Antônio Carlos do Nascimento – Bispo Auxiliar de Fortaleza (CE);
- Dom Celso Alexandre – Bispo Auxiliar de São Paulo (SP);
- Dom Evandro Campos Maria – Bispo Auxiliar de Belo Horizonte (MG);
- Dom George Luís Amaral Muniz – Bispo de Propriá (SE);
- Dom Gabriel dos Santos Filho – Bispo Auxiliar de Salvador (BA);
- Dom Gilson Meurer – Bispo de Lages (SC);
- Dom Gilvan Pereira Rodrigues – Bispo Auxiliar de Salvador (BA);
- Dom Jânison de Sá Santos – Bispo Auxiliar de Fortaleza (CE);
- Dom Jefferson Santos Pinheiro – Bispo Auxiliar de Aracaju (SE);
- Dom João Batista de Oliveira – Bispo de Corumbá (MS);
- Dom José Sílvio de Brito – Bispo Auxiliar de Natal (RN);
- Dom Márcio Antônio Vidal de Negreiros – Bispo Auxiliar de São Paulo (SP);
- Dom Milton Zonta, SDS – Bispo Coadjutor de Criciúma (SC);
- Dom Pedro Cesário Palma – Bispo de Jardim (MS);
- Monsenhor Fabrício do Prado Nunes – Bispo Auxiliar do Ordinariado Militar do Brasil;
- Dom Giuseppe Luigi Spiga – Bispo de Grajaú (MA).
Por Larissa Carvalho | Fotos: Paulo Augustro Cruz





