Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ) 

 

Mensagem do Papa Leão XIV para a Quaresma 

O Santo Padre, o Papa Leão XIV, enviou uma mensagem para que todos os fiéis possam bem viver este tempo quaresmal. Ao longo do período quaresmal, somos convidados a exercer três práticas espirituais: oração, jejum e caridade. Essas três práticas nos ajudarão em nosso processo de conversão e mudança de vida. O Papa Leão XIV nos recorda, ainda, que, ao longo desta Quaresma, é necessário escutar mais do que falar. E, além disso, fazermos o jejum da língua; ou seja, muitas vezes ferimos o outro com a nossa língua, falando mal e condenando o próximo. Façamos o propósito de falar menos nesta Quaresma e de olhar primeiro para nós mesmos. 

O Santo Padre ainda usa a expressão fazer jejum de “palavras ofensivas” e colocar Deus no centro da nossa vida. Muitas vezes, em nossas comunidades, acontece de um grupo falar mal do outro, uma pessoa de uma pastoral falar mal da coordenadora. Enfim, procuremos falar menos, unir forças e, juntos, edificar o Reino de Deus. 

Ao longo desta Quaresma, que é um caminho de conversão e mudança de vida, acolhamos com carinho e docilidade de espírito a Palavra do Senhor. A Palavra do Senhor não é ofensiva, não nos fere nem machuca; pelo contrário, é por meio da Palavra do Senhor que ouvimos que podemos nos motivar a nos reconciliar com nossos irmãos, sobretudo com aqueles que nos ofenderam ou a quem ofendemos. 

O Santo Padre, em sua mensagem, nos ensina a importância de escutar: temos que saber ouvir o outro. O Papa ainda faz um contraponto com a Palavra de Deus, exortando a todos nós a ouvirmos e a acolhermos com carinho a Palavra do Senhor. Conforme dissemos acima, a Palavra do Senhor, acolhida por nós, nos levará a nos reconciliarmos com nossos irmãos. Ao escutarmos com atenção a Palavra de Deus proclamada na celebração eucarística, poderemos levar o que escutamos para a nossa vida, ou seja, para a realidade em que vivemos, anunciando a paz, a justiça, o amor e a caridade. 

Entre as tantas palavras que escutamos no dia a dia, a que devemos guardar de fato é a Palavra do Senhor. A Palavra do Senhor nos aponta o caminho certo e a direção a seguir; ela nos ajuda a praticar a justiça e a caridade. “Entre as muitas vozes que passam pela nossa vida pessoal e social, as Sagradas Escrituras tornam-nos capazes de reconhecer aquela que surge do sofrimento e da injustiça, para que não fique sem resposta.” (Papa Leão XIV). 

Voltando a falar sobre a importância do jejum, um dos pilares deste tempo quaresmal: o jejum pode ser tanto de algum alimento que deixamos de comer ao longo da Quaresma quanto, conforme mencionou o Santo Padre, o jejum da língua. O jejum é fruto da Palavra de Deus, pois é por meio da oração e da meditação da Palavra que teremos forças para realizá-lo. Jejuar da maledicência é demonstrar abandono do pecado. Jejuar, principalmente, de digitar coisas negativas e espalhar fake news. 

O jejum que realizamos, conforme nos alertava o próprio Jesus e agora nos adverte o Santo Padre, não deve ser feito para nos envaidecer ou para mostrar aos outros que estamos jejuando. Somente Deus deve saber do jejum que estamos realizando, e ele deve estar fundamentado na Palavra, para não o fazermos de qualquer jeito. 

O jejum deve ser vivido com fé e humildade e não precisa ser somente de alimento, conforme dissemos, mas também de outras privações, inclusive da língua. Peçamos o auxílio do Espírito Santo para que possamos viver o jejum com fé e consigamos realizá-lo. Jesus jejuou e orou por quarenta dias no deserto, com o auxílio do Espírito Santo, e venceu as tentações; que, do mesmo modo, nós possamos, com o auxílio do Espírito Santo, vencer as tentações e realizar nosso jejum. 

Podemos oferecer o nosso jejum por um doente, pelos falecidos e, diante do cenário mundial que vivemos, pela paz, para que todos os povos se unam e consigam resolver os seus problemas por meio do diálogo e não das armas. A paz pode começar em cada um de nós, a partir do momento em que somos convidados a fazer o jejum da língua, evitando conflitos e discórdias com nossos semelhantes. 

O Papa nos ensina a medir as palavras e a cultivar a gentileza na família, no trabalho, na escola, entre amigos, nos meios de comunicação social e nas comunidades cristãs. Dessa forma, muitas palavras de ódio darão lugar a palavras de esperança e de paz. 

Por fim, o Papa conclui que a Quaresma se vive de forma comunitária, por meio da escuta da Palavra e da prática do jejum. “As nossas paróquias, famílias, grupos eclesiais e comunidades religiosas são chamadas a percorrer, durante a Quaresma, um caminho partilhado, no qual a escuta da Palavra de Deus, assim como do clamor dos pobres e da terra, se torne forma de vida comum e o jejum suporte um verdadeiro arrependimento.” (Papa Leão XIV). 

Isso não significa que devemos impor o nosso jejum para que os outros o façam, mas que, unidos em oração, todos conseguirão passar por este tempo quaresmal e realizar o jejum. Que essas palavras de encorajamento do Santo Padre nos ajudem, e que o Espírito Santo nos ilumine para bem realizarmos os exercícios quaresmais. 

 

 

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