Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba (MG)
A vida se constrói através dos fatos e afazeres do cotidiano, enfrentando todo tipo de influência da sociedade. É a construção de uma identidade durante os passos históricos da existência. Se isto é projetado na dimensão bíblica, a estrutura da vida é consolidada com a presença iluminadora do Espírito de Deus. Assim, damos sentido à Festa de Pentecostes, presença do Espírito Santo no hoje do tempo.
Pentecostes significa diversidade de línguas, comunicação, entendimento na esfera da diversidade. Na experiência do tempo, do hoje, a presença do Espírito Santo é fundamental para abrir a mente de quem vive petrificado nos seus princípios de tradição. O mundo é muito diferente daquele quando aconteceu o fato de Pentecostes, como está citado no livro dos Atos dos Apóstolos (2,1-11).
A presença do Espírito Santo, na experiência do tempo, é fruto do cumprimento da promessa feita por Jesus Cristo antes de sua volta para a casa do Pai. Ao sacramentar a Igreja com a missão de continuar o anúncio da Palavra da vida, Cristo a muniu da força iluminadora da terceira Pessoa da Trindade. As atividades do tempo, feitas sem abertura para o Espírito Santo, ficam inconsistentes.
Falar do Espírito Santo evidencia o tema da comunicação como forte experiência dos novos tempos. Fazendo paralelo entre o fato de Babel (Gn 11,9), expressão de confusão, desentendimento e incapacidade de comunicação e Pentecostes (At 2,1), expressão de unidade, entendimento, capacidade de comunicação, concluímos que, na experiência do tempo, a comunicação globaliza nossas atividades.
A comunicação, como dom e experiência do tempo, não é exclusividade de alguns, é de responsabilidade de todos. Pode ser diferente por causa dos dotes, da formação e habilidades pessoais. Bem usada, evita confusão na comunidade e ajuda na convivência. Paulo evidencia que a comunicação vem do Espírito Santo: “Ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor, a não ser no Espírito” (ICor 12,3).
A comunicação de Cristo, ressuscitado, aos apóstolos, foi num contexto em que eles estavam fechados no cenáculo e numa situação de medo. Jesus chega e anuncia a eles a paz, a unidade e a convivência fraterna. A comunicação globalizada dos novos tempos, superando as inverdades, deve construir paz, fraternidade, harmonia e não medo e esvaziamento na convivência entre as pessoas.
