Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)
Festa da Apresentação do Senhor
“O Rei da glória é o Senhor onipotente” (Sl 23/24)
Celebramos segunda-feira, dia 2 de fevereiro, a Festa da Apresentação do Senhor. Essa celebração acontece quarenta dias após o Natal e remonta àquilo que está descrito no capítulo 2º do Evangelho de Lucas, quando Maria e José levam o Menino Jesus para ser apresentado no Templo, conforme prescrevia a Lei judaica. Nesse episódio, eles se encontram com o profeta Simeão e com a profetisa Ana.
Essa festa recorda, guardadas as devidas proporções, àquilo que fazemos com nossos filhos quando, antes do Batismo, os levamos à Igreja para serem apresentados à comunidade. Esta celebração se inicia com todos reunidos à porta ou perto da Igreja, onde acontece a bênção das velas. Em seguida, todos são convidados a entrar na Igreja com as velas acesas, pois o Senhor foi apresentado e consagrado no Templo: a Luz está no meio de nós. Por isso, somos convidados a ser luz para aqueles que encontramos e a manter acesa a chama dessa vela.
Por ser celebrada quarenta dias após o Natal, essa festa ocorre sempre no dia 2 de fevereiro, independentemente do dia da semana em que caia. No ano passado foi celebrada no domingo; neste ano, ocorre na segunda-feira. Seria importante que participássemos da Santa Missa nesse dia. Por isso, mesmo sendo dia de trabalho e estudo, um dia comum da semana, seria oportuno que pudéssemos participar da celebração eucarística.
No Oriente, essa festa é celebrada desde o ano 450 d.C. e é chamada de Festa do Encontro, pois o Senhor vai ao encontro dos sacerdotes do Templo, e Simeão e Ana representam todo o povo de Deus. A partir do século V, essa festa passou a ser celebrada também em Roma. Com o passar dos anos, foi acrescentada a bênção das velas, recordando que Jesus é a luz dos gentios e que todos nós devemos refletir a luz de Cristo para os outros.
José e Maria cumprem um preceito prescrito na Lei de Moisés, que determinava que todo primogênito do sexo masculino deveria ser consagrado ao Senhor e Lhe pertencia. Ao consagrar o menino, os pais deveriam oferecer um sacrifício: muitos ofereciam bens materiais ou animais de grande porte. Por serem pobres, José e Maria oferecem um par de rolas ou dois pombinhos, o que agradava ao Senhor. A Sagrada Família seguia fielmente a Lei judaica.
Ao chegarem ao Templo, o profeta Simeão, “movido pelo Espírito Santo”, vai ao encontro do Senhor. É o mesmo Espírito que, no Batismo, desceria sobre Jesus e o conduziria ao deserto. Esse mesmo Espírito revela a Simeão que Jesus é o Filho de Deus, o Messias esperado. Peçamos, nesta Festa da Apresentação do Senhor, que esse mesmo Espírito Santo nos faça reconhecer Jesus como o Messias e nos ajude a refletir essa luz aos outros. Não podemos ser trevas ou escuridão, mas luz.
A celebração da Festa da Apresentação do Senhor começa com todo o povo de Deus do lado de fora da Igreja. Após a oração e a bênção das velas, proferidas pelo sacerdote, os fiéis entram em procissão, representando que devemos ir ao encontro do Senhor com as nossas lâmpadas acesas. Somos chamados a viver em oração e vigilância, pois não sabemos o dia nem a hora.
Ao ouvir tudo o que o profeta Simeão disse, Maria guardava todos os fatos e meditava sobre eles em seu coração. Desde o início, ela sabia da missão que havia abraçado: ser a Mãe do Salvador. A profetisa Ana, mulher de Deus, esperava, assim como todo o povo de Israel, a salvação. Tanto Ana quanto Simeão, já idosos, aguardavam com ansiedade tempos de paz e de salvação trazidos pelo Messias.
Que também nós possamos esperar tempos de paz para a nossa vida e para o nosso povo. Que a luz de Cristo irradie o mundo inteiro e que, movidos pelo Espírito Santo, caminhemos ao seu encontro e o adoremos. Vamos com as nossas velas acesas ao encontro do Senhor, sobretudo com a luz do coração acesa.
A primeira leitura desta Missa é da profecia de Malaquias (Ml 3,1-4). O profeta transmite ao povo a mensagem do Senhor, anunciando que Deus enviaria o seu anjo para preparar o caminho para a chegada do Messias. Esse mensageiro prepararia o povo para o encontro com o Senhor e para o julgamento que se daria com a sua vinda. Por isso, o convite: “Convertei-vos e crede no Evangelho.”
O salmo responsorial é o Salmo 23(24), cujo refrão proclama: “O Rei da glória é o Senhor onipotente.” O salmista nos convida a abrir as portas do nosso coração para acolher o Senhor que vem. Que Ele entre em nossa cidade, em nosso país, transforme os corações e faça reinar a paz.
O Evangelho desta solenidade é de São Lucas (Lc 2,22-40). Esse trecho retrata exatamente o que celebramos: a apresentação do Menino Jesus no Templo. Quarenta dias após o nascimento, José e Maria levam o Menino para ser consagrado ao Senhor, conforme prescrevia a Lei de Moisés.
No Templo, são acolhidos pelo profeta Simeão e pela profetisa Ana. Ambos esperavam a consolação de Israel e aguardavam, com ansiedade, a chegada do Messias. Simeão havia recebido a promessa de que não morreria antes de ver o Cristo do Senhor; Ana também já era de idade avançada. Simeão profere palavras proféticas sobre o Menino, e Maria guardava e meditava tudo em seu coração.
José e Maria cumpriam fielmente a Lei judaica e oferecem um par de rolas ou dois pombinhos como sinal de gratidão ao Senhor, enquanto as famílias mais abastadas ofereciam outros animais.
Celebremos com alegria a Festa da Apresentação do Senhor e, ao celebrá-la, voltemos o nosso coração para a grande festa do calendário cristão que se aproxima: a Páscoa. Vamos com as nossas lâmpadas acesas ao encontro do Senhor e sejamos luz para todos aqueles que encontrarmos.
