O Santuário Nacional de São José de Anchieta reuniu milhares de fiéis, peregrinos, religiosos e sacerdotes na tarde da terça-feira, 9 de junho, para a Missa Solene de encerramento da Festa Nacional de São José de Anchieta 2026. A celebração marcou os 460 anos da ordenação presbiteral do santo jesuíta, reconhecido como o Apóstolo do Brasil e uma das figuras mais importantes da evangelização em terras brasileiras.
A Eucaristia foi presidida pelo secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Ricardo Hoepers, e concelebrada pelo arcebispo de Vitória, dom Ângelo Mezzari, além de bispos, padres, religiosos e religiosas que participaram da solenidade.

Durante a homilia, dom Ricardo destacou que a vida e a missão de São José de Anchieta permanecem atuais e inspiradoras para os cristãos do século XXI. Segundo ele, a fecundidade missionária do santo não se explica apenas por seus talentos humanos, mas principalmente por sua profunda experiência de fé e sua total entrega a Deus.
“Tudo o que São José de Anchieta fez foi porque a sua fé permitiu o trabalho. Agora é a nossa vez. É a nossa geração. Somos nós, em 2026, chamados a viver a fé, anunciar o Evangelho e transformar o mundo a partir das nossas famílias e comunidades”, afirmou.
Ao recordar os 460 anos da ordenação sacerdotal de Anchieta, dom Ricardo ressaltou que a comemoração ultrapassa a simples memória histórica e se torna um convite à renovação da missão evangelizadora da Igreja.
“Não estamos aqui apenas lembrando um belo personagem do passado. Estamos contemplando a graça de Deus na vida de São José de Anchieta e pedindo a mesma graça para a nossa vida, para a nossa missão e para a evangelização do nosso tempo”, destacou.

Memória viva da evangelização
A programação da visita de dom Ricardo ao Espírito Santo também incluiu momentos de peregrinação e valorização da memória histórica da presença jesuíta no Brasil. Antes da celebração no Santuário Nacional, o secretário-geral da CNBB esteve na Igreja Nossa Senhora da Ajuda, localizada em Araçatiba, município de Viana.
O templo integra um importante conjunto histórico ligado à atuação da Companhia de Jesus no período colonial. Construída no século XVIII, a igreja fazia parte da antiga Fazenda de Araçatiba, administrada pelos jesuítas, e hoje compõe o Centro de Interpretação Fazenda de Araçatiba.
Durante a visita, dom Ricardo ressaltou a importância da preservação dos espaços que testemunham a ação evangelizadora da Igreja ao longo da história.
“Estar aqui, em Araçatiba, é fazer memória da presença evangelizadora dos jesuítas que ajudaram a construir a identidade do Espírito Santo”, afirmou.
A Igreja Nossa Senhora da Ajuda integra o roteiro histórico da presença jesuíta no Espírito Santo, juntamente com o Santuário Nacional de São José de Anchieta, o Palácio Anchieta e a Igreja dos Reis Magos.
O legado de São José de Anchieta
Nascido em 1534, nas Ilhas Canárias, São José de Anchieta chegou ao Brasil ainda jovem como membro da Companhia de Jesus. Ao lado de missionários como o padre Manoel da Nóbrega, dedicou-se à evangelização dos povos indígenas, à educação e à consolidação da presença da Igreja no território brasileiro.
Conhecido como o “Apóstolo do Brasil”, Anchieta desempenhou papel decisivo na catequese, na defesa dos povos originários e na formação das primeiras comunidades cristãs. Também contribuiu para a fundação da cidade de São Paulo e deixou importante legado cultural e literário.
Após longa devoção popular, foi canonizado pelo Papa Francisco em 3 de abril de 2014. Sua vida continua sendo referência para evangelizadores, catequistas e missionários, inspirando novas gerações a anunciar o Evangelho com coragem, criatividade e testemunho de fé.
Com informações da arquidiocese de Vitória


