Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo Diocesano de Campos
O Evangelho, deste Domingo, nos apresenta Jesus curando e anunciando o Reino da plenitude para os doentes. Naquele tempo, e por certo em muitos lugares da nossa realidade, o povo era abandonado e sofria as doenças e males físicos sem atendimento e remédios, ainda, em muitos casos, atribuindo sua enfermidade a uma culpa pessoal ou dos pais.
Com Jesus, irrompe forte e, de maneira intensa, o cuidado amoroso que soergue as pessoas e as reintegra à comunidade e serviço, como aconteceu com a sogra de Pedro. A Casa de Pedro, símbolo da Igreja, se torna, como diz o Papa Francisco, um “hospital de Campanha”, acolhendo a toda a cidade, incluindo a todos (as) na solicitude de libertar integralmente, a cada um na sua inteireza, de devolver o dom da saúde e da shalom (a reunião de todos os bens, espirituais e materiais).
O mês de fevereiro (februarium), que trás em seu nome as febres que afetam e deterioram a humanidade, nos convida a repensar nosso compromisso e solidariedade com os irmãos doentes, seja trabalhando em campanhas de prevenção da saúde, visitando e consolando os irmãos hospitalizados ou pacientes, e ainda lutando pela sobrevivência do SUS e seu pleno financiamento.
Como seguidores de Jesus não podemos ficar alheios ou indiferentes ao descarte de pessoas, a mistanásia social (morte dos pobres por falta de recursos), ao sofrimento de tantos irmãos que padecem além de suas doenças, a dura realidade do abandono e descaso. Não podemos assistir passivamente ao desmonte e colapsamento da saúde pública, como a mercantilização da vida, e renunciar ao direito de cidadãos, para nos tornar meros consumidores de planos de saúde privados.
Neste ano do Laicato, parabenizamos a tantos cristãos leigos e cristãs leigas que encontram tempo para testemunhar a presença do Reino entre os irmãos quebrantados e feridos pela doença, que nunca desistam de atender com zelo e renovada ternura aos preferidos de Jesus. Que o Bom Pastor nos torne instrumentos de cura, saúde integral, e da misericórdia do Reino da vida em abundância. Deus seja louvado!
