Dias 26 e 27 de maio, os membros do Conselho Episcopal Pastoral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) se encontram em Brasília na sede da conferência para uma reunião com os seguintes principais pontos de pauta: análises de conjuntura social e eclesial, Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) 2026-2032, Campanhas da Fraternidade e Evangelização, fase de implementação do Sínodo sobre a Sinodalidade.
A infância no foco da análise de conjuntura social
Em preparação à Campanha da Fraternidade (CF) de 2027, cujo tema será “Fraternidade e o Cuidado das Crianças”, com o lema bíblico “Quem recebe uma criança em meu nome, a mim recebe” Mt18,5, foi apresentada pelo bispo de Carolina (MA) e coordenador do Grupo de Análise de Conjuntura, dom Francisco Lima Soares, uma reflexão com o objetivo de compreender a infância no Brasil e as perspectivas pastorais.
Além dos dados sobre a realidade, a análise buscou aprofundar a perspectiva da criança na Igreja na linha de cuidado. A análise recuperou o sentido teológico e bíblico das crianças. ” Se Deus se deixa encontrar no pequeno, o cuidado com os pequenos não é opcional nem periférico. A criança deixa de ser vista apenas como ‘futuro da Igreja’ ou ‘adulto em formação’ e passa a ser reconhecida como presente teológico e sujeito de dignidade plena, aqui e agora”, apontou um trecho do texto apresentado.
A análise ajudou a compreender a uma rápida transição demográfica pelo qual o Brasil atrevessa. Ao longo do século XXI, observa-se redução do número de crianças de 0 a 14 anos, tanto em termos absolutos quanto relativos. Ainda assim, segundo o Censo Demográfico de 2022, cerca de uma em cada cinco pessoas no país tinha até 14 anos de idade, o que evidencia a relevância quantitativa da população infantil no contexto demográfico brasileiro.
Entre 2000 e 2022, enquanto a população total cresceu de 169,8 milhões para 203,1 milhões de pessoas, aumento superior a 33 milhões de habitantes, o número de crianças de 0 a 14 anos diminuiu de 50,3 milhões para 40,1 milhões, representando uma redução absoluta superior a 10 milhões de pessoas. Em termos relativos, a participação dessa faixa etária na população total caiu de 29,6% em 2000 para 19,8% em 2022, evidenciando o avanço da transição demográfica no país.
Como propostas frente à análise, dom Francisco Lima apresentou a primazia da proteção e salvaguarda da infância; o fortalecimento das famílias como espaço de cuidado e com condições para proteger e desenvolver as crianças; a educação integral que não pode ser reduzida à preparação para o mercado; o controle social na linha de reconhecer que o lugar da criança nas políticas públicas em todos os níveis; e a recusa a retrocessos como o trabalho infantil e redução da infância à problemas de segurança. ” Esperança não é esperar que as coisas melhorem sozinhas. Esperança é compromisso organizado”, concluiu dom Francisco.

Análise de Conjuntura Eclesial
O coordenador do Grupo de Análise de Conjuntura Eclesial da CNBB e bispo de Petrópolis (RJ), dom Joel Portella Amado, representante do Inapaz, buscou ajudar os membros do Consep na compreensão do “ethos” religioso brasileiro atual. “Não podemos trabalhar mais com um modelo evangelizador de conservação. Em tempos de pós-Cristantante, é necessário recuperar o Documento de Aparecida nos pontos em que fala da relação com Jesus Cristo e suas consequências”, disse.
Como elementos facilitadores, dom Joel Portella Amado, bispo de Petrópolis (RJ), apontou as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2026-2032 que foram aprovadas, depois de longo processo de emendas, por 98,99% dos bispos na última assembleia da CNBB. Segundo dom Joel, o episcopado brasileiro se reconheceu nas diretrizes. “O desafio agora que fica para as dioceses no Brasil é implementar em seus planos de pastoral este conjunto de linhas gerais. Muitos grupos se sentem representados nas novas diretrizes”, disse.
Dom Joel também ressaltou como positivo a conexão do Sínodo e das DGAE como caminho de sua recepção no Brasil e disse ser necessário, para sua implementação, usar uma metodologia sinodal combinada com os cinco caminhos da missão apontados no documento das diretrizes.
Por outro lado, apontou as dificuldades previstas neste processo: o fato de ainda haver resistências quanto às diretrizes, o individualismo contemporâneo, as opções pessoais, agendas individuais e seletividade, as bolhas de filtro e polarizações, o ano eleitoral, a resistência à CNBB, modelos pastorais de outras épocas, formação frágil e esquecimento do Censo 2022 que mostra tendência de queda no número de católicos e uma juventude distante da fé.
Campanhas: Fraternidade 2028 e Evangelização 2026
O secretário executivo do Setor Campanhas da CNBB, padre Jean Poul Hansen, apresentou a necessidade de aprovar o tema da Campanha para a Evangelização 2026. A sugestão é Lucas 2,10: “eu vos anuncio uma grande alegria!” Segundo o padre Jean, a alegria do tema remete ao nascimento de Jesus Cristo, às diretrizes e ao anúncio do Evangelho.
No cartaz apresentado aos bispos, padre Jean Poul apontou que a tenda remete à ideia das diretrizes aprovadas na 62ª Assembleia Geral da CNBB. Padre Jean Poul apresentou ainda o material produzido (roteiros de celebrações para a campanha). Os participantes reagiram ao tema e à proposta do cartaz. O presidente da CNBB, cardeal Jaime Spengler falou da necessidade de repensar um pouco o alcance e as estratégias da Campanha para a Evangelização em vista também de aumentar a sua arrecadação.
Padre Jean Poul colocou a necessidade de adiantar o processo de aprovação da Campanha para a Evangelização em 1 ano para dar tempo de alinhar o tema e iniciativas com as publicações das Edições CNBB e com o grupo de folhetos litúrgicos do Brasil. Iniciativa aprovada pelos membros do Consep.
Etapas de implementação do Sínodo
O bispo de Petrópolis (RJ) e membro da equipe de animação do Sínodo no Brasil, dom Joel Portella Amado retomou as etapas do Sínodo sobre a Sinodalidae: 2021/2023 – Consulta; 2023-2024 – Celebração; 2027-2028 – Implementação.
Para a fase de implementação, de 2027 a 2028, dom Joel reforçou que a secretaria do Sínodo propõe as assembleias das Igrejas Locais como um espaço mais amplo onde precisa se discutir a implementação do Sínodo. Os responsáveis por este processo são os bispos diocesanos, as equipes animadoras, padre e lideranças eclesiais.
As fontes são o Documento Final, as pistas para a fase de implementação, relatórios finais dos grupos de estudo e outros documentos e a orientação do como fazer aponta para a necessidade de compreender sempre mais o Documento Final e, em espírito de oração, envolver quem ainda não está envolvido.
As etapas da implementação são: no primeiro semestre de 2027 está prevista a etapa diocesana com objetivo de “recolher” as experiências; o segundo semestre de 2027 será dedicada à interpretação; a etapa continental, entre janeiro e abril de 2028, será momento de orientar; em Roma, em 2028, acontecerá a Assembleia Eclesial e será momento de grande celebração dos aprendizados.
Todas as fases estão sendo orientadas por uma comum: Qual o rosto concreto de Igreja sinodal e missionária e que novos caminhos de sinodalidade acontecem nas diferentes realidades? Segundo dom Joel, não se trata tanto de discutir, mas de recolher as experiências que surgiram a partir do Sínodo. O conjunto será partilhado em forma de relatório narrativo e carta contando sobre as experiências que surgiram.
No Brasil está prevista a seguinte programação:
8 de junho, às 20h – live sobre a conexão entre as Diretrizes e as Conclusões Sinodais.
4, 11 e 18 de agosto – Lives sobre conversões sinodais.
2026 – Segundo semestre – início do tempo das assembleias eclesiais.
9 de novembro – Live para escuta da caminhada.
Informes
O econômo da CNBB, padre Felipe Lima apresentou o quadro da situação financeira da CNBB, indicando principais receitas, despesas ordinárias e também um quadro da arrecadação das duas diferentes campanhas da CNBB. Também fez o informe sobre o encontro de ecônomos que reuniu 22o participantes de 170 dioceses.
Os presidentes das Comissões Episcopais para o Ecumenismo, Juventude e Vida e Família apresentaram um informe sobre as atividades previstas para este ano, os eventos, encontros e processos curso.
