Dom José Gislon
Bispo de Caxias do Sul (RS)
Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus! O amor a Deus e ao próximo sempre foi uma marca forte do cristianismo, que procurou fazer do amor o centro de todas as relações humanas. Mesmo tendo presente que o amor não pode ser ensinado como um curso acadêmico, devemos compreender que todos os aspectos da nossa vida podem ser afetados por ele: o amor divino, o nosso amor e o amor ao próximo.
Mas aprender a amar é um processo, tendo presente que o amor verdadeiro, nem se compra, nem se vende, porque é na gratuidade que se revela o verdadeiro amor. Esse amor gratuito deveria estar presente no cotidiano da vida familiar, mas sabemos que mesmo nas melhores famílias podem surgir ocasiões em que a presença desse amor é deficiente, por inúmeras razões, e o lar, em vez de ser um recanto de paz e de aconchego, pode se tornar um lugar de violência, de falta de compaixão e de destruição da vida dos filhos e dos pais. O certo é que nenhuma criança pode sobreviver ou crescer de forma harmoniosa sem, ao menos, um pouco de amor e atenção.
Aquilo que aprendemos na convivência familiar sobre o amor pode ser aperfeiçoado, desenvolver-se, confirmar-se, ser negado ou ser assimilado, na trajetória da nossa vida. Porém, na base de todo desenvolvimento estará sempre a experiência do amor que recebemos nos primeiros anos de vida. Neste sentido, a família pode ser reconhecida como a primeira instituição de amor, que tem uma forte influência durante toda a nossa vida.
A poucos dias após o Natal celebramos a Festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José. É fundamental compreendermos que a família precisa continuamente ser valorizada e fortalecida, na comunhão reciproca e na dimensão do amor, vivido no matrimônio e na família, como sinal sacramental do amor esponsal de Deus. No mundo hodierno, é difícil também manter-se fiel à dignidade natural da família. No entanto, tudo poderia ser mais simples se as três palavras lembradas pelo Papa Francisco como “palavras-chave” fizessem parte das relações cotidianas da vida familiar: “com licença, obrigado, desculpa”. Elas com certeza ajudariam muito as famílias a viverem em paz e na alegria, mesmo passando pelas provações que a vida nos apresenta.
Quando, em uma família, se é capaz de respeitar o espaço do outro e se é capaz de pedir “licença”; quando, em uma família, não se é egoísta e se aprende a dizer “obrigado”; quando, em uma família, um se dá conta de que fez alguma coisa errada e tem a humildade de saber pedir “desculpas”, então na família vai existir a paz, o amor e a alegria. A alegria de estar juntos, de sentir a ternura e o amor de um pai e de uma mãe num simples abraço, que traz ao coração a dimensão do amor e da misericórdia do Pai.
