Dom Antonio Carlos Rossi Keller

Bispo de Frederico Westphalen (RS)

 

O Terceiro Domingo da Páscoa celebra o mistério do Caminho de Emaús, um dos relatos mais comoventes dos evangelhos. Neste domingo, a Liturgia apresenta-nos Cristo Ressuscitado como companheiro que caminha ao nosso lado, abre as Escrituras e partilha o pão. É um convite a reconhecer que o Senhor não nos abandona nas nossas dúvidas e tristezas, mas vem ao nosso encontro através da Palavra e da Eucaristia. A assembleia cristã é chamada a reviver esta experiência pascal, deixando-se conduzir do desespero à esperança, da escuridão à luz, da incerteza à fé viva. 

Na Primeira Leitura (Atos 2,14.22-33), o discurso de Pedro no dia de Pentecostes fundamenta a fé na ressurreição a partir das Escrituras e do testemunho apostólico. Pedro proclama que Jesus de Nazaré foi morto segundo o desígnio de Deus, mas Deus o ressuscitou, elevando-o à sua direita e derramando o Espírito prometido. O texto sublinha que a ressurreição não foi um ato humano, mas o projeto divino realizado em Jesus. A promessa do Espírito aplica-se agora a todos os que creem: constitui a base da evangelização e da vida da Igreja, que continua a missão de Cristo através dos séculos. 

A segunda Leitura (1 Pedro 1,17-21), Carta de São Pedro, exorta os fiéis a viverem como filhos obedientes de Deus, não conforme às paixões de antes, nascidas da ignorância. Cristo foi preordenado antes da criação do mundo e manifestou-se no fim dos tempos para nosso bem. O enfoque está no preço do resgate – não com ouro corruptível, mas com o sangue precioso de Cristo – e na relação entre fé, esperança e a vida moral. Os destinatários da mensagem, agora justificados, são convidados a uma santidade coerente com a dignidade recebida. 

No Evangelho deste domingo (Lucas 24,13-35), São Lucas narra a aparição de Cristo aos dois discípulos a caminho de Emaús. Cleófas e outro discípulo caminham transtornados e decepcionados após a crucifixão e morte do Senhor, sem reconhecer o Ressuscitado que os acompanha. Jesus censura as suas interrogações, abre-lhes as mentes às Escrituras e explica-lhes tudo o que se referia a ele. No vilarejo, sentam-se à mesa, e quando parte o pão, os seus olhos abrem-se e reconhecem-no, mas ele desaparece. Imediatamente regressam a Jerusalém para testemunhar aos Onze a novidade. Este relato ensina que Cristo vem ao nosso encontro na provação, que a Escritura ilumina a nossa vida e que a Eucaristia é o momento do reconhecimento do . A Liturgia convida-nos a participar deste mesmo caminho, onde a fé nasce da escuta da Palavra e se consuma na partilha do pão. 

Para viver o espírito do Terceiro Domingo da Páscoa durante toda a semana, somos chamados a imitar o caminho dos discípulos de Emaús em quatro momentos: 

Primeiro, aceitemos caminhar com Cristo mesmo nos nossos caminhos pessoais – nos momentos de perda, dúvida ou desilusão – confiando que Ele caminha ao nosso lado.  

Segundo, dediquemos tempo à escuta da Palavra: participemos na missa dominical, leiamos diariamente as Escrituras e deixemos que Deus fale ao nosso coração através delas.  

Terceiro, procuremos o pão partido: acerquemo-nos frequentemente da Eucaristia, reconhecendo nela o sacramento do encontro com o Ressuscitado.  

Além disso, sejamos testemunhas: regressemos da nossa oração e dos nossos encontros com o Senhor com o coração ardente e partilhemos com os outros a alegria da fé.  

Que este Domingo nos ensine que Cristo está vivo, caminha conosco e se nos dá a conhecer na Palavra e na fração do Pão (Eucaristia). 

 

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