Dom Vital Corbellini
Bispo de Marabá (PA)
Alguns padres da Igreja comentaram o Sanctus, o Santo, cantado ou rezado na missa, fazendo parte no prefácio antes da consagração das espécies do pão e do vinho. É importante perceber o seu significado na Patrística, pelo menos em alguns autores cristãos que viveram nos primeiros séculos.
Tertuliano, padre da Igreja que viveu no século II e III na África do Norte, dizia que é sem dúvida oportuno que Deus seja bendito por todo o ser humano em qualquer lugar e tempo pela obediente memória dos seus benefícios, que estando unida à oração, tem o mesmo significado de uma benção de Deus. Além disso, quanto mais o nome de Deus não é santo e não é santificado por si só, a partir do momento que é Ele mesmo a santificar por si mesmo os outros? Desta forma as potestades dos anjos celestes que estão ao redor do Deus Uno e Trino não cessam de dizer: Santo, Santo, Santo (Is 6,3; Ap 4,8). Da mesma forma também nós, que esperamos viver como os anjos, se o teremos merecido, já ainda neste mundo aprendemos o som celeste dirigido a Deus e aquele serviço de louvor que lhe daremos no esplendor futuro.
Para o Pseudo Ambrósio de Milão, autor cristão que viveu após o século IV, afirmava que é ao Senhor Deus, na qual são dadas o louvor e a glória; nos profetas é mostrado como Um e mesmo Senhor, e é Ele mesmo que falou a Isaias dizendo: A quem enviarei e irá junto a este povo? Se de um lado aos profetas é mostrado como Um e mesmo Deus, de outro lado aos apóstolos e à Igreja o entendem como Trindade. Se na profecia ensina-se que há uma só divindade, para os apóstolos e para a Igreja se conata como Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, mas também são um único Deus.
Para o Vitor de Vita, Bispo no Norte da África, no século V dizia que o hino dito ou cantado a Deus é de adoração à perfeita Trindade, também nós guardamos as mesmas palavras que na celebração dos santos mistérios dizemos com a boca: Santo, Santo, o Senhor Deus do Universo (cfr. Is 6,3). Dizendo três vezes santo confessamos uma única Onipotência, porque um é o culto, uma é a glorificação da Trindade, como nós ouvimos do Apóstolo aos Coríntios: A graça do Senhor Nosso Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós (2 Cor 13,13).
Casiodoro, senador e monge latino, do século V e VI, afirmava que a palavra de Deus, Santo, Santo, Santo tendo presente o Evangelista João, no livro do Apocalipse (cfr. Ap 4,8) diz respeito a um louvor incessante de toda a potestade celeste a Deus Uno e Trino. Três vezes, de fato, é dito santo para indicar que o Pai é santo, que o Filho é santo e que o Espírito do Pai e do Filho é santo. Embora por três vezes se repita santo, não se diz, no entanto ao plural, ‘santos’, mas ao singular, “santo”, porque se compreenda que nestas três Pessoas há uma só santidade e uma só eternidade. Nós dizemos também que os céus e a terra estão cheios da vossa glória: os céus e a terra são governados da sua glória, e todos os que estão nos céus e sobre a terra glorificam o honram o seu nome santo. Hosana no mais alto céus. Esta expressão é entendida no sentido que Deus salva ou conduze-nos à salvação, no mais alto céus, isto é nas alturas. Bendito aquele que vem em nome do Senhor. Quando o Cristo Jesus foi a Jerusalém e desceu do Monte das Oliveiras, os filhos de Israel gritavam, dizendo: Bendito Aquele que vem em nome do Senhor (cfr. Mt 21,9; Mc 11,9).
A Igreja que se encontra sobre a terra imita a parte de si que é estabelecida no céu, não só porque junto à essa louva Deus com suplicas e confissão da sua glória, mas também porque celebra junto a essa os mesmos louvores mediante as palavras e o mesmo sentir. Repetindo por três vezes santo no louvor de Deus, veneramos num inefável mistério a Trindade das pessoas na unidade da divindade, e confessando uma só vez o Senhor Deus dos exércitos.
Em seguida se diz que os céus e a terra estão cheios da tua glória. Isto mostra a imensidade da grandeza divina, como esta não pode ser medida por nenhum critério de valorização, não contida pelo mundo, mas enche o mundo em modo tal modo que em Deus contem o mundo sem Ele ser contido pelo mundo. Ele está em todo o céu, em toda a terra, sem ser contido em nenhum lugar, mas por toda a parte inteiramente em si mesmo; assim é o Pai, assim é o Filho, assim também o Espírito Santo; um só Deus, Trindade indivisa.
É importante saber o significado que nós dizemos ou cantamos nas missas o Santo, expressando o louvor e o amor que damos à Unidade em Deus e ao mesmo tempo a Trindade. Deus Uno e Trino seja louvado pelas palavras santo que expressamos com a boca e que nos apontam à prática de vida, de santidade assumida em nós, pelo dom do batismo, e um dia teremos a graça de exaltar a santidade de Deus Uno e Trino, na eternidade, na vida eterna.
