Dom Lindomar Rocha Mota
Bispo de São Luís de Montes Belos (GO)
A vida cristã é dom e responsabilidade. Deus nos criou para a liberdade na luz da verdade. É por isso que que as jogatinas modernas, que tem entrado em nossos lares com aparência de brincadeira e linguagem sedutora, causam tanto estupor.
Os jogos têm sido difundidos de modo intenso pelas redes digitais e promovidos por vozes influentes e falsamente amigas que não assumem o peso das dores humanas que provocam.
O jogo não se apresenta como vício, mas o é, e; como todo vício, é uma mistura de ilusão delirante e autodestruição.
Ele se disfarça de entretenimento e se mostra como oportunidade. Ele promete ganhos rápidos, emoções fortes, sensação de controle. O primeiro contato costuma ser curioso, inocente e vitorioso. Um clique, uma aposta pequena, uma expectativa breve. O coração acelera. A respiração muda. O tempo parece suspenso enquanto se aguarda o resultado. É a vertigem da possibilidade.
Ali começa o perigo. O jogador não busca apenas dinheiro; busca intensidade. Busca aquele segundo antes do resultado e é nesse segundo que se instala a ilusão de poder, como se o destino estivesse nas próprias mãos.
A vitória produz euforia, a perda, porém, não encerra o ciclo; ela o alimenta.
Surge o impulso de recuperar, de tentar novamente, de provar que é possível vencer o acaso.
Cada rodada carrega a promessa da redenção!
Essa dinâmica não é neutra. Ela envolve mecanismos psicológicos.
O ganho inesperado libera entusiasmo; a perda gera ansiedade que pede compensação. Forma-se um circuito emocional que prende a mente e o espírito. O mundo vai se estreitando até caber dentro de uma aposta. As preocupações familiares, o trabalho, a oração, os compromissos passam a girar em torno da aposta.
A Igreja olha para essa realidade com compaixão e lucidez. Não se trata de condenar pessoas, mas de compreender processos. Muitos homens e mulheres bons, responsáveis, trabalhadores, acabam envolvidos nesse ciclo sem perceber a velocidade com que ele se instala. O entusiasmo inicial transformar-se em transtorno e a breve alegria dá lugar ao vazio e à vergonha.
A esperança cristã, sólida e paciente, corre o risco de ser substituída por uma expectativa febril e instável.
A intensidade que o jogo promete é passageira; a alegria que nasce de uma vida orientada por Deus é profunda e duradoura.
Aos que já se sentem presos nesse ciclo, a Igreja caminha próxima. Há saída, pois a graça restaura. A comunidade acolhe. Procure ajuda, fale com alguém, busque acompanhamento espiritual e, se necessário, apoio profissional. A vergonha não deve ser obstáculo para a libertação. Não entregues o teu Coração ao acaso!
