Dom Carmo João Rhoden
Bispo Emérito de Taubaté (SP)
Neste XXXIV Dia Mundial do Doente celebrado em 11 de fevereiro de 2026, somos convidados a voltar nosso olhar para Chiclayo, no Peru, e nossos corações para a mensagem iluminadora do Papa Leão XIV: “A compaixão do samaritano: amar carregando a dor do outro”.
Para nós, que fazemos parte da família do Hospital do Coração Bom Jesus (HCORBJ), as palavras do Santo Padre não são apenas uma reflexão distante; elas descrevem nossa rotina, nossa identidade e nossa missão diária. O Papa nos recorda a parábola do Bom Samaritano, sob uma luz renovada, alertando para o perigo da “cultura da pressa e da indiferença” que cega o homem diante da dor do irmão.
Aqui no HCORBJ, trabalhamos incansavelmente, para que nenhum paciente seja invisível. A tecnologia de ponta que oferecemos — em cardiologia, e tantas outras especialidades — é vital, mas ela é apenas uma ferramenta. O verdadeiro remédio, como nos ensina o Papa Leão XIV, é a proximidade. O Samaritano não apenas viu; ele “parou, ofereceu proximidade, e curou com as próprias mãos”. Esta é a “medicina do encontro” que buscamos praticar: medicina, onde, o olhar atento do médico e o toque suave do enfermeiro são tão importantes, quanto o medicamento prescrito.
Há um trecho na mensagem pontifícia, que toca profundamente a nossa gestão na Associação Bom Jesus. O Papa observa que o Samaritano, não agiu sozinho; ele envolveu o estalajadeiro. Escreve Leão XIV: “o samaritano procurou um estalajadeiro, que pudesse cuidar daquele homem, como nós estamos chamados a encontrar-nos num “nós mais forte do que a soma de pequenas individualidades”.
O Hospital do Coração Bom Jesus é esta estalagem moderna. Nós somos o “nós”, organizado para cuidar. Sozinho, o gesto de caridade é belo, mas é limitado. Quando nos unimos — corpo clínico, colaboradores, administração e voluntários — transformamos a compaixão individual, numa estrutura sólida de amor e eficiência. Nossa gestão busca ser esse reflexo do cuidado divino, garantindo que o “ferido” que chega à nossa porta encontre não apenas um leito, mas um lar de acolhimento e esperança.
Recordamos com saudade o Papa Francisco, citado carinhosamente por seu sucessor, que tanto insistiu na fraternidade humana. Seguindo seus passos, e agora guiados por Leão XIV, reafirmamos que cuidar da saúde é um ato sagrado. O Papa nos diz que “servir ao próximo é amar a Deus na prática”. Portanto, cada cirurgia realizada, cada exame laudado e cada alta celebrada em nosso hospital, é uma forma concreta de oração e louvor a Deus.
A mensagem deste ano, nos desafia a ir além da filantropia; desafia-nos a sermos parte do dom. Que o Senhor Bom Jesus, nosso patrono, continue a moldar o coração de cada colaborador desta instituição. Que saibamos “perder tempo” com nossos pacientes, pois esse tempo doado é, na verdade, eternidade ganha.
A todos os enfermos que confiam em nosso trabalho, aos seus familiares e à nossa dedicada equipe de saúde, concedo minha bênção e as minhas orações. Que a Virgem Maria, Saúde dos Enfermos, nos cubra com seu manto e nos ensine a nunca passar ao largo de quem sofre.
