O mundo precisa de paz! Rezemos pela paz e pelo fim das guerras! 

Dom Anuar Batistti
Arcebispo Emérito de Maringá (PR)

Irmãos e irmãs, à luz dos acontecimentos recentes da vida da Igreja, somos convidados a voltar o nosso olhar e o nosso coração para um forte apelo feito pelo amado Papa Leão XIV: a convocação de uma Vigília de Oração pela paz, a ser realizada no dia 11 de abril, na Basílica de São Pedro, em Roma, aberta a todos os fiéis do mundo inteiro.  

Não se trata de um simples evento devocional, mas de um gesto profundamente eclesial e profético. O Romano Pontífice, ao dirigir esse convite à Igreja inteira, recorda que a oração é a primeira e mais eficaz resposta diante das guerras, dos conflitos e das divisões que marcam o nosso tempo. Em meio a tantas tensões internacionais, ele nos chama a redescobrir a força espiritual da súplica comum, elevando a Deus um clamor que nasce do coração humano ferido pela violência. 

Na sua mensagem, o Santo Padre foi claro ao afirmar que a paz que Cristo oferece “não se limita a silenciar as armas, mas toca e transforma o coração de cada um de nós”. Aqui está um ponto essencial: a paz cristã não é apenas ausência de guerra, mas fruto de uma conversão interior. É a paz que nasce do Evangelho, da reconciliação com Deus e com os irmãos. 

Esse ensinamento encontra sólido fundamento na Sagrada Escritura. O próprio Senhor Ressuscitado, ao aparecer aos discípulos, lhes diz: “A paz esteja convosco” (Jo 20,19). Essa paz não é externa, mas interior; não é imposta, mas oferecida. Do mesmo modo, São Paulo nos recorda que Cristo “é a nossa paz” (Ef 2,14), pois derrubou os muros da divisão e reconciliou a humanidade com Deus. 

Ao convocar essa Vigília, o Papa também faz um apelo concreto à responsabilidade humana. Ele afirma que somente o retorno ao diálogo poderá conduzir ao fim dos conflitos e exorta a comunidade internacional a acompanhar os esforços diplomáticos com a oração. Assim, oração e ação não se opõem, mas se complementam: a oração sustenta e ilumina os caminhos da paz. 

Esse chamado ecoa diretamente o ensinamento bíblico: “Procurai a paz e segui-a” (Sl 34,15). A paz não acontece por acaso, ela deve ser buscada, construída, desejada. E mais ainda, deve ser pedida a Deus, pois é dom antes de ser conquista humana. 

O contexto pascal em que essa vigília é convocada dá ainda mais profundidade ao seu significado. Após celebrar a Ressurreição, o Papa recorda que a vitória de Cristo é a vitória da vida sobre a morte, do amor sobre o ódio. A paz verdadeira nasce exatamente dessa vitória pascal. Cristo não venceu pela violência, mas pelo amor que se entrega até o fim. 

Por isso, o Santo Padre faz um apelo forte e direto: que aqueles que têm armas as depõem, que aqueles que têm poder escolham o caminho do diálogo. Trata-se de um chamado à conversão não apenas pessoal, mas também social e política. A paz exige decisões concretas, escolhas corajosas e renúncias verdadeiras. 

Mas o Papa também alerta para um perigo silencioso: a indiferença. Ele denuncia aquilo que já foi chamado de “globalização da indiferença”, ou seja, a incapacidade de se comover diante do sofrimento do outro. Nesse sentido, a vigília de oração é também um antídoto contra essa insensibilidade, pois nos coloca diante de Deus e nos abre ao clamor da humanidade. 

Diante disso, a participação dos fiéis, mesmo à distância, torna-se essencial. A Igreja, desde suas origens, sempre compreendeu a força da oração comum. Como nos recorda o livro dos Atos dos Apóstolos: “Todos perseveravam unanimemente na oração” (At 1,14). É essa unidade espiritual que sustenta a missão da Igreja e a torna sinal de esperança no mundo. 

A Vigília de Oração pela paz, portanto, não é apenas um momento localizado em Roma, mas um convite universal. Cada comunidade, cada família, cada fiel é chamado a unir-se espiritualmente a esse clamor. Onde houver um coração que reza pela paz, ali a Igreja estará viva e atuante. 

Como seria interessante, neste sábado, dia 11 de abril, marcássemos um horário para a reza do Terço em família ou em grupo de amigos, unidos ao amado Papa Leão XIV para rezarmos pela paz no mundo e pelo fim das guerras! Sejamos construtores da paz! 

Em um mundo marcado por guerras, divisões e inseguranças, esse gesto do Papa nos recorda algo essencial: a paz começa no coração humano, é dom de Deus e tarefa de todos. Como ensina Jesus: “Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,9). 

Que essa vigília reacenda em toda a Igreja o desejo sincero de paz, fortaleça a nossa fé e nos comprometa concretamente com a construção de um mundo reconciliado. E que, unidos em oração, possamos fazer ecoar, com verdade, esse clamor que o Sumo Pontífice nos propõe: que brote do coração humano um autêntico grito de paz. 

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