O Terremoto: Paixão e Páscoa

O terremoto remexeu as entranhas da terra na Itália e uma antiga e nobre terra foi arrasada na região do Abruzzi com cerca de 280 mortos até agora. Mas não é só a Itália que tremeu, não só os italianos que vivem no mundo, mas todos foram tocados por este fato tão chocante. As certezas são arrasadas, mais do que com a crise financeira, e estamos diante de algo que supera a nossa capacidade de compreensão.

È uma questão que incomoda e que não podemos eliminar distraindo-nos com outras coisas ou ficando apenas numa emoção superficial. A pergunta é sobre a precariedade da vida e o seu significado.

Nestes dias, junto com o sofrimento e a dor é visível uma grande manifestação de solidariedade e de caridade, mostrando ao mundo que a distração não é a única saída. Mas mesmo assim, diante do drama, a pergunta fica e com ela a manifestação da nossa impotência.

O terremoto nos coloca diante do mistério da existência e provoca a nossa razão e a nossa liberdade de homens. Sendo tão perdidos e desamparados, o que sustenta a nossa esperança? Precisamos de algo mais que a justa, bonita e louvável solidariedade. Mas sozinhos não conseguimos e estamos sem palavras.

A companhia de Cristo, que é a fonte da solidariedade do nosso povo, se revela mais uma vez como o fato decisivo na nossa história. Uma companhia que dá sentido à vida e à morte, às vitimas, aos desabrigados e a nós mesmos. Uma presença cheia de amor que nos acompanha até no mistério da morte, sustentando com o seu amor infinito a vida e a esperança.

Páscoa assim ganha uma nova luz. ”Aquele que não poupou o próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não nos dará também todas as coisas junto com ele?” (Rom 8,32). Páscoa de ressurreição e de vida para todos.

Dom Filippo Santoro

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