Está muito subjacente na cultura de algumas regiões alguém chegar após o horário marcado. Às vezes o atraso é grande! Não se vê o ridículo ou a falta de educação de fazer toda a comunidade esperar o “charme” da chegada atrasada de noivas, de pessoas cuja presença depende o início de uma cerimônia…

Por outro lado, há quem chegue bem depois de um rito ter-se iniciado e quer colocar-se nos primeiros lugares, sem ter nenhuma titularidade de cargo para a cerimônia, com o intuito de ter posição de destaque e ser visto como mais importante do que os outros. Na época de propaganda política, isto é muito comum. Trata-se do ditado: “Quem chega por último quer ser o primeiro”. Mas, ao contrário disso, Jesus afirma: “Se alguém quer ser o primeiro, seja o último e o servidor de todos” (Mc 9, 35). Não se trata de esconder os próprios talentos ou anular a auto-estima e sim de saber do valor maior de contribuir com o bem da comunidade e a promoção do semelhante.

O Mestre dá exemplo sobejo disso. Ele deveria ser a pessoa mais cercada de honraria e receber o serviço prestado por parte de todos. Ao contrário, Ele quis dar-nos o exemplo de como conviver com humanidade e fraternidade. Aos olhos de Deus, vale mais quem mais contribui com o benefício do semelhante, mesmo a custas do sacrifício de si. O ideal maior do amor faz a pessoa que o entende adequadamente a não poupar esforços para oferecer o maior préstimo possível a quem precisa, a partir dos mais frágeis da sociedade.

É muito considerado na sociedade quem aparenta grandeza ou importância no aspecto financeiro, cultural e de liderança aparente. Na realidade, quem marca a história pela grandeza ética, moral e de real serviço à comunidade, até mesmo nesse ambiente, é quem se coloca na postura simples e faz aparecer o valor do outro, que precisa de apoio e amor. Esse tipo de pessoa trata o outro como mais importante. Não importa colocar-se na classificação de último. Servir acima de tudo é o seu lema. Exemplos como Tereza de Calcutá, Irmã Dulce, Dom Helder, Dom Luciano e outros não faltam e são admirados.

Muitas injustiças acontecem no contexto humano devido à luta para o aparentemente mais forte e importante aparecer. Mas a última palavra, mesmo na mentalidade consumista, vem a ser a de quem marca a caminhada da sociedade com a promoção do bem comum. A pessoa justa se coloca como servidora e promove a paz (Cf. Tg 3, 18). Ela não teme passar por incompreensão, desvalorização e até perseguição. Mas tem a convicção de sua missão de lutar pela cidadania de todos. Ela sofre, sem dúvida, mas tem a certeza de vencer (Cf. Sab 2, 12.17-20). A fragilidade da criança é lembrada por Jesus com a necessidade de todos a protegerem. A motivação é a mais elevada. Ajudar quem é mais frágil é pôr-se ao lado do próprio Mestre (Cf. Mc 9, 36-37) para servi-Lo. Quem não prestaria serviço a Jesus se ele pedisse diretamente? Aí está a atitude de quem sabe, nessa perspectiva, ser o último, ou seja, o mais serviçal possível em relação ao semelhante.

Dom José Alberto Moura

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