O verdadeiro que buscamos é Jesus Ressuscitado!

Dom Diamantino Prata de Carvalho
Bispo Emérito de Campanha (MG)

 

Nestes domingos em que meditamos o capítulo 13 do Evangelho segundo São Mateus, percebemos que Jesus ensina com autoridade; autoridade que emerge da vida em comunidade da qual Jesus logrou extrair os frutos da sabedoria que só a duras lidas se faz possível aprender. Fato é que seus ensinamentos não foram talhados em pedras ou em lindos pergaminhos, mas com força ressoaram pelo testemunho de pessoas simples, impactando os intelectuais de plantão e fixando o ponto de partida para uma dinâmica de vida cuja felicidade é real, possível e verdadeira.

Nesta dinâmica, Jesus revela o próprio Deus e o seu Reino partindo da simplicidade dos pequenos, da realidade de pessoas que, apesar de pobres em suas condições materiais, eram ricas em seus modos de contemplar e viver a vida. A partir dos textos bíblicos, podemos notar que Jesus olha antes para um camponês que ara a terra, para um comerciante no mercado e para o um pescador além-mar, e isto nos diz muito de sua pedagogia. Jesus se utiliza de uma pedagogia encarnada, eficaz e profundamente humana, e ao entendermos bem tal dinâmica, podemos compreender porque as parábolas contadas por Jesus funcionam tão bem.

De imediato, as parábolas de Jesus remetem a um aconchego na realidade: Jesus não exige que as pessoas saiam de suas realidades para compreendê-lo; Ele entra na realidade delas. A verdade divina não é um enigma distante, mas algo que salta aos olhos na vida cotidiana. As parábolas de Jesus são dotadas de encanto, beleza, justamente por utilizar elementos de distinta beleza e magnificência como o tesouro, a pérola, o peixe, o mar, obras do criador que por gerações inspiram poetas em suas poesias.

Traçada tal perspectiva, vejamos que Jesus, ao falar do homem que encontra tal tesouro ou do negociante que se depara com distinta pérola, nos mostra também hoje que a conversão nasce de uma alegria verdadeira e contagiante, decorrente de uma busca e de uma descoberta que irrompe a monotonia e a crueza da existência. Não em vão aquele homem “vende tudo o que tem, cheio de alegria”. Quando o coração percebe o valor do que é essencial, o desapego das coisas supérfluas se dá livremente.

A imagem da rede lançada ao mar, por outro lado, acolhe peixes de todas as espécies. Aqui Jesus ensina a paciência de coexistir, na mesma perspectiva do joio e do trigo. Jesus mostra que a sabedoria de acolher a todos primeiro, para, no tempo certo, exercer o discernimento, sobressai à insensatez de se antepor aos planos divinos cuja consistência está na

Verdade que, assim como a misericórdia, triunfa do juízo, e se encerra na pessoa de Jesus Cristo, princípio e fim, Senhor do tempo e da eternidade.

Ao fim deste trecho de nosso itinerário maior, culminando este precioso capítulo de São Mateus, nos deparamos com uma significativa interpelação feita por Jesus que impede o monólogo. Jesus pergunta aos discípulos: “Compreendestes tudo isso?”. Diante da resposta afirmativa, Ele conclui ressaltando a missão de quem é pai, mãe, educador, sacerdote, catequista, professor, diretor, de modo geral, de quem é líder, protetor e provedor, frisando a hábil competência daqueles que sabem tirar do seu tesouro “coisas novas e coisas velhas”. Se trouxermos essa mesma pedagogia para o momento presente, que provocação o Evangelho faz aos nossos lares, às nossas igrejas, às nossas mais diversas instituições sociais e de ensino?

Vivemos em uma era marcada pelo excesso de informação, ruídos digitais e pelo imediatismo. No entanto, muitas vezes nos falta a capacidade de discernir o essencial do aparente. É aqui que a pedagogia de Jesus se torna um farol: na família, pais hoje enfrentam a complexa tarefa de educar filhos em um mundo hiperconectado. A tentação de impor regras apenas pelo dever costuma gerar afastamento. O desafio: tornar o amor um tesouro visível. A família é chamada a agir como o homem da parábola. Educar pelo testemunho atrativo de vida faz com que a criança e o jovem percebam que os valores da fé, do respeito e da honestidade não são fardos, mas tesouros valiosos. Nossos lares, assim como redes em pleno mar, precisam ser espaços onde a diversidade de sentimentos e falhas sejam acolhidas sem julgamentos precipitados, permitindo que o amadurecimento aconteça no tempo certo.

Na escola a pedagogia de Jesus oferece um caminho para ir além do repasse frio de conteúdos. O bom educador não ensina para a abstração; ensina conectando o saber acadêmico com a vida real dos estudantes, assim como Jesus usou o campo, a pérola e o mar. O educador moderno precisa ser como o escriba instruído no Reino. Ele não ignora a riqueza das bases e dos valores clássicos (o velho), mas sabe utilizar com maestria as novas tecnologias e abordagens metodológicas (o novo) para despertar o encanto pelo conhecimento.

Que possamos, queridos irmãos e irmãs, nesta celebração, pedir a graça de sermos educadores, pais, líderes cristãos com o estilo de Jesus. Que a nossa vida fale de forma tão simples, afetuosa e coerente que aqueles que se aproximam de nós sintam vontade de buscar e guardar esse mesmo Tesouro. Que a família e a escola caminhem de mãos dadas, descobrindo

no cotidiano a pérola mais preciosa: a formação integral do ser humano sob a luz do Reino de Deus, e que nossas comunidades, nossas igrejas, aprendam com Jesus a ser no mundo redes de apoio e de evangelização, tornando cada vez mais presente a nova civilização, sonhada por Deus e querida pelos cristãos. Que assim seja.

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