Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)
Após termos passado pelo tempo quaresmal, pela Semana Santa, pelo Tríduo Pascal e pelo Domingo de Páscoa, entramos no período que chamamos de Oitava da Páscoa. Ou seja, é como se todos os dias desta semana, até o próximo domingo, fossem Páscoa. Podemos, portanto, desejar uns aos outros, ao longo destes dias, uma feliz e santa Páscoa.
A festa da Páscoa é tão grande e a alegria da ressurreição do Senhor é tão singular que não pode ser celebrada em um único dia, mas se estende por oito dias. Por isso, as missas dessa semana são celebradas com solenidade, como no Domingo de Páscoa: com hino de louvor, sequência pascal (facultativa) e, se possível, a Oração Eucarística I. Após a Oitava, c continua o Tempo Pascal, que se prolonga até a festa de Pentecostes, totalizando cinquenta dias vividos na alegria da ressurreição.
A Páscoa renova a nossa fé e fortalece a certeza na ressurreição: é o centro do calendário cristão. Jesus vence a morte, não permanece no sepulcro — pois aquele não era o seu lugar —, mas ressuscita e retorna ao Pai. Ao aparecer aos discípulos, comunica-lhes a paz, sopra sobre eles o Espírito Santo e os envia em missão.
A Igreja nos convida a viver intensamente esse tempo, preparando-nos, ao longo dessas semanas, para a plenitude do Espírito Santo em Pentecostes. É Ele quem santifica, guia e sustenta a Igreja. Somos chamados a viver segundo o Espírito, deixando-nos conduzir por Ele em nossa caminhada de fé.
Durante a Oitava da Páscoa e todo o Tempo Pascal, o Círio Pascal permanece aceso em todas as celebrações, bem como nos sacramentos do Batismo, da Eucaristia e da Crisma. Após Pentecostes, ele é aceso especialmente no Batismo, na Crisma e nas exéquias, recordando Cristo, luz do mundo.
Assim como os discípulos foram enviados em missão, também nós hoje somos enviados para anunciar a alegria do Cristo ressuscitado. A alegria deve ser a marca dos seguidores de Jesus, pois quem encontra o Ressuscitado torna-se portador de paz e esperança. Pelo Batismo, somos todos discípulos e missionários, chamados a evangelizar com a força do Espírito Santo.
A alegria é sinal da presença do Ressuscitado. Em suas aparições, Jesus saúda os discípulos com a paz e os convida à alegria. Por isso, cada batizado deve cultivar e transmitir essa alegria. Bispos, sacerdotes, diáconos, seminaristas, religiosos e religiosas — e todo o povo de Deus — são chamados a viver com alegria a própria vocação, pois o Senhor nos chama à verdadeira felicidade.
Na Vigília Pascal, renovamos as promessas batismais e recordamos que, pelo Batismo, fomos purificados do pecado. Durante a Oitava, o rito penitencial pode ser substituído pela aspersão com água benta, sinal dessa vida nova que recebemos em Cristo. Renovar essas promessas é reafirmar o compromisso de viver como discípulos e missionários.
A cor litúrgica do Tempo Pascal é o branco, sinal da alegria e da vitória de Cristo sobre a morte. Ele abriu para nós as portas da vida eterna. Por isso, é fundamental participar das celebrações, especialmente aos domingos e, se possível, também durante a semana da Oitava. Este é o tempo mais intenso de todo o ano litúrgico.
O Círio Pascal, aceso na Vigília Pascal com o fogo novo, simboliza Cristo ressuscitado que ilumina as trevas do mundo. Sua luz recorda que, mesmo diante da escuridão, Cristo venceu e continua a iluminar a humanidade. A Igreja, por sua vez, é chamada a refletir essa luz no mundo, proclamando: “Eis a luz de Cristo!”.
A ressurreição não significa um simples retorno à vida terrena, nem uma existência espiritual vaga, mas a entrada definitiva na vida eterna, com corpo glorioso. Por isso professamos: “Creio na ressurreição da carne”. Nossa esperança está na vida eterna junto de Deus.
Ao longo do Tempo Pascal, a liturgia nos introduz também na vida da Igreja nascente e na experiência da misericórdia divina. No segundo domingo, celebramos a Divina Misericórdia; no quarto, o Cristo Bom Pastor e o dia mundial de orações pelas vocações. Somos convidados a confiar plenamente no amor de Deus e a viver como membros do Corpo de Cristo.
Este tempo nos chama a renovar a consciência de que somos discípulos e missionários, assumindo com seriedade o nosso Batismo. À semelhança de Maria Madalena e dos apóstolos, somos enviados como mensageiros da esperança. É um tempo de conversão, renovação da fé e compromisso com a comunidade.
A Igreja prolonga a celebração da Páscoa para que essa graça não se limite a um único dia, mas transforme toda a nossa vida. Vivamos intensamente este tempo, acolhendo as graças que Deus derrama sobre nós e deixando-nos enviar em missão. Que sejamos portadores da Boa-Nova não apenas neste período, mas ao longo de todo o ano.
