No primeiro dia do ano, comemora-se o Dia Mundial da Paz. Esta iniciativa, já algum tempo, visa refletir e agir para que a paz aconteça em todo o mundo, neste momento histórico em que estamos vivendo. Guerras, revoluções e conflitos entre povos, nações e culturas foram como que o estopim desta iniciativa humanitária. Até os dias de hoje, infelizmente, não faltou motivação para prosseguir e incentivar este evento tão humanitário e necessário!
Neste ano de 2010, no XLIII Dia Mundial da Paz, surpreende-nos o tema proposto pelo Papa Bento XVI para esta celebração: “Se quiseres cultivar a paz, preserva a criação”! Certamente não faltam guerras e conflitos para motivar a busca da paz neste momento histórico. Entretanto, na reflexão do Santo Padre, – como também da Igreja e de tantas pessoas de boa vontade – não faltam razões para se preocupar com a realidade do planeta, que suscita preocupações para o hoje e o amanhã do meio-ambiente e para a vida da população.
“Se são numerosos os perigos que ameaçam a paz e o autêntico desenvolvimento humano integral, devido à desumanidade do homem para com seu semelhante – guerras, conflitos internacionais e regionais, atos terroristas e violação dos direitos humanos -, não são menos preocupantes os perigos que derivam do desleixo, se não mesmo do abuso, em relação à terra e aos bens naturais que Deus nos concedeu” (Mensagem do Papa, n. 1).
O desenvolvimento integral depende da relação do homem com o ambiente natural, que não é fruto do acaso, mas dádiva de Deus. Este tema já foi considerado por outros Papas. “A paz mundial está ameaçada… também pela falta do respeito devido à natureza”. “A consciência ecológica não deve ser reprimida, mas antes favorecida até se chegar a programas e iniciativas concretas” (João Paulo II, Mensagem, 1 de janeiro de 1990).
Hoje tal solidariedade ecológica torna-se ainda mais necessária. De fato Bento XVI reflete: “Pode-se porventura ficar indiferente perante as problemáticas que derivam de fenômenos como as alterações climáticas, a desertificação, o deterioramento e a perda de produtividade de vastas áreas agrícolas, a poluição dos rios e dos lençóis de água, a perda da biodiversidade, o aumento das calamidades naturais, o desflorestamento das áreas equatoriais e tropicais?” (Mensagem do Papa, n. 4).
Esta frase do Papa toca na realidade que estamos vivendo hoje em dia. A Conferência de Copenhague (7 a 18/12/2009, na Dinamarca) não foi capaz de apresentar respostas coerentes e unânimes sobre o problema ecológico mundial. Percebe-se o perigo do superaquecimento global. Os interesses econômicos em jogo dificultam um acordo ante uma ameaça tão séria para a vida.
Para sentir o drama que estamos vivendo, é só olhar o que acontece à nossa volta. Há lixo, embalagens plásticas, garrafas e papéis jogadas em todo lugar: em nossas praias, nos canais, nas rodovias, nas ruas e espaços reservados aos jardins e áreas verdes. Nossa Mata Atlântica, uma preciosidade ecológica de nossas encostas ao longo do litoral, está sendo invadida e privada de tantas espécies de plantas e flores dificilmente recuperáveis.
E o que dizer de nossos rios, lagos e represas onde são jogados lixo e materiais não mais usados? Mesmo as terras de nosso Interior são usadas para produção agrícola, sim, mas seu cultivo é todo feito por máquinas que não respeitam o meio-ambiente e com a utilização de agentes químicos que não só prejudicam a natureza, mas que acabam contaminando até os produtos com agrotóxicos e adubos que são autênticos venenos para a natureza e animais, sem falar das pessoas humanas.
E se pensarmos na Amazônia, vemos cada vez mais terras sendo invadidas, matas sendo derrubadas para exploração comercial, águas e rios sendo cada vez mais poluídos e diminuindo de tamanho e capacidade de abrigar os peixes, acolher as aves preservar a vida e a cultura dos ribeirinhos e dos povos indígenas.
“É decisão sensata realizar uma profunda e clarividente do modelo de desenvolvimento e também refletir sobre o sentido da economia e dos seus objetivos, para corrigir suas disfunções e deturpações. Exige-o o estado de saúde ecológico da terra; reclama-o também e sobretudo a crise cultural e moral do homem, cujos sintomas há muito tempo se manifestam por toda a parte”(cfr Bento XVI, in Caritas in Veritate, n. 32).
“A Igreja tem a sua parte de responsabilidade pela criação e sente que que a deve exercer também no âmbito público, para defender a terra, a água e o ar, dádivas feitas por Deus Criador a todos, e antes de tudo para proteger o homem contra o perigo da destruição de si mesmo” (Mensagem do Papa, n. 12).
Nossa Diocese quer fazer sua parte na reflexão, ação e oração para que seja acolhido e vivido o premente apelo: “Se quiseres cultiva a paz, preserva a criação.
