Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos (RJ)
Desde a aplicação da teoria nefasta da guerra preventiva, tem-se multiplicado as intervenções, os ataques e invasões a países destruindo a convivência dos povos e ceifando vidas entre elas as mais frágeis. A guerra preventiva fundamenta-se no preconceito, da desconfiança, o medo e muitas vezes encobre motivações espúrias como o lucro e a ambição desmedida. O conhecido líder cristão
Andréa Riccardi fundador da Comunidade Santo Egídio propõe uma alternativa evangélica: a paz preventiva. Esta visão ancorada certamente no Reino, apresenta motivos para construir a paz, e os recursos para vivê-la e realizá-la.
Ela não pode ser imposta, deve amadurecer no consenso generalizado, numa cultura disseminada de paz num senso de responsabilidade comum compartilhada. Já em 1938 as portas da segunda guerra mundial, o sacerdote católico Luigi Sturzo afirmava : “Sou a favor de eliminar a guerra entre os meios legítimos da defesa do Direito, porque existem outros meios de defesa do Direito”. A paz não consiste apenas num valor a ser proclamado, mas representa uma obra e uma faina concreta e diária que irmana e envolve a todos(as).
Começa com a transformação de si mesmo, e a partir do coração de um fiel e de uma comunidade se irradia e contagia a humanidade e a terra inteira. O grande místico russo São Serafim de Sárov ensinav: “ Conquista a paz em ti, e milhares ao teu redor a possuirão”. Já o Papa o Papa São João Paulo II, pleno do espírito de Assis nos educava:
Devemos substituir o velho adágio latino; se queres paz prepara-te para guerra, por outro mais inspirador e verdadeiro; se queres paz prepara-te para a paz”. Preparar-se para a paz, exige assumir um estilo de vida fraterno, não violento, solidário e compassivo, tanto nos gestos, como nas palavras e atitudes.
Nossa fé tem uma clara e irrevogável mensagem de paz: “Jesus é nossa paz!” (Ef. 2,14). Quando questionaram a Mahatma Ghandi que ele como religioso se deixava contaminar pela política ele respondia: “Os homens dizem que eu sou santo perdendo-me a mim mesmo com a política.
O fato é que sou um político fazendo o máximo possível para ser um santo”. O amor não é neutral, sem excluir ninguém abraçando os injustiçados e oprimidos tenta edificar uma fraternidade universal, incluindo a todas as pessoas e criaturas da Casa Comum.
Neste tempo de quaresma escutemos novamente a Palavra do Pai das misericórdias: “Seguindo a palavra dos teus lábios evitei os caminhos do violento!” (Sl. 17, 4) Deus seja louvado!
