Os braços da mãe que sustentam a criancinha dão segurança a este ser necessitado de proteção. A segurança da nova criaturinha não se verificaria mesmo fosse com a presença de um exército para defendê-la de qualquer possível ataque. A mãe protege muito mais com seu carinho e seu amor contínuo, que a faz serviçal contínua do bebê assumido como seu tesouro absoluto.

Com Jesus há o predicado ainda muito maior: após a ressurreição, não apresentou meios de segurança materiais para seus discípulos. Sua paz deve durar para eles em proporção à aceitação contínua de sua pessoa. Sua presença é geradora de segurança na ordem sobrenatural, que inclui também a natural. A transmissão da paz é mais do que um desejo verbal. É a comunicação da mesma com sua presença promotora de tranquilidade. “A paz esteja convosco!” (Jo 20, 19). Os discípulos experimentaram a paz duradoura, mesmo nas perseguições e enfrentamento do martírio. A paz não está baseada simplesmente na ordem psicológica ou emocional. Ela se sedimenta na certeza do ideal defendido com amor Aquele que é a finalidade última da existência. A religiosidade, que baseia a busca da paz no sentimento de euforia com isenção de problemas a enfrentar, pode causar mera ilusão e tranquilidade passageira. A paz de Cristo necessariamente passa pela certeza do bem realizado por amor ao semelhante, em vista da missão apresentada por Ele. Inclui a certeza de Sua presença em cada passo da vida.

Ato contínuo à apresentação da paz, Jesus dá a missão aos discípulos. “Como o Pai me enviou, também eu vos envio” (Jo 20, 21). Na realização do projeto de vida apresentado pelo Senhor está a paz a ser levada a todos. Esta, no entanto, se baseia na verdade e na justiça. A verdade de Jesus não aceita egoísmo, falta de compromisso com o bem do semelhante, exclusão pessoal e social, desrespeito à vida, à dignidade humana, aos mais frágeis, à família, ao ético, ao meio ambiente, à religião… A justiça vai além daquela dos fariseus, que engana o semelhante. É misericordiosa. Olha para as necessidades dos outros, principalmente dos deixados de lado no tocante à suas necessidades de cidadania.

Tomé só compreendeu a presença de Jesus quando se viu enganado no seu conceito quanto à pessoa dele. A fé pura passa pela confiança absoluta na pessoa e na verdade de Jesus. Vem, então, a manifestação do reconhecimento da verdade. “Meu Senhor e meu Deus!” (Jo 20, 28). Quando se acredita que Cristo é realmente o Filho de Deus, se assume a missão de levar sua paz a todos. Até hoje não têm faltado os promotores de sua paz. Eles não só defendem a anulação das guerras, mas promovem a segurança que provém de quem ama o semelhante a ponto de ser verdadeiro baluarte da justiça misericordiosa para se conseguir a paz duradoura. A segurança não vem dos canhões e sim do amor que gera solidariedade e união de esforços para o trabalho da inclusão de cada ser humano no convívio realizador com os outros. Só quem experimenta a paz fundamentada em Deus é capaz de promover o bem do outro.

“Os discípulos se alegraram por verem o Senhor” (Jo 20). De fato, a certeza da presença do Senhor ressuscitado dá garantia de êxito na missão. Isso produz paz!

Dom José Alberto Moura

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