CNBB em Roma: Presidência da CNBB se reúne com a comunidade do Colégio Pio Brasileiro

Durante a visita ao Vaticano, a Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) reuniu-se com a comunidade do Pontifício Colégio Pio Brasileiro, em Roma, na noite de quarta-feira, 21 de janeiro. O encontro foi marcado pela prestação de contas anual do Colégio e a reflexão da caminhada pastoral da Igreja no Brasil, e contou com discussões sobre o equilíbrio entre o rigor acadêmico e a vida espiritual, a busca pela viabilização do projeto de reforma do Colégio, as novas diretrizes para a evangelização no Brasil e a importância da formação permanente do clero.

O reitor do Pio Brasileiro, monsenhor Valdir Cândido, apresentou a prestação de contas do último ano acadêmico, com o balanço financeiro do período 2024-2025, que apresentou superávit nas contas. De acordo com o Colégio, o resultado positivo foi garantido pelo aumento nas receitas de hospedagem e pela fidelidade das dioceses brasileiras ao projeto Comunhão e Partilha.

 

Partilhas sobre a caminhada eclesial

A reunião contou com intervenções dos quatro bispos da presidência, cada um abordando eixos fundamentais para a vida da Igreja. Abrindo as reflexões, o presidente da CNBB, cardeal Jaime Spengler, destacou o reconhecimento pelo esforço de cada padre estudante, mas recordou a finalidade última dessa dedicação. Ele foi enfático ao afirmar que o estudo e o trabalho desenvolvidos em Roma não são um projeto de realização pessoal:

“Não é um trabalho para nós, é para os nossos fiéis, para as nossas comunidades, para os pobres. Isso revela a dignidade daquilo que desenvolvemos”, afirmou Dom Jaime.

O cardeal alertou que a vida espiritual não pode ser confundida com meros alívios religiosos, sob o risco de o acadêmico gerar uma “secura” que esvazia o ministério. “Depois de Deus, o maior dom são os irmãos”, completou, incentivando à cooperação e à vida litúrgica da casa contra a tendência de isolamento. O presidente da CNBB também agradeceu à direção do Colégio pela dedicação e generosidade no serviço.

O secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers, partilhou dados sobre a Igreja no Brasil e apresentou informações do Fundo Nacional de Solidariedade. Fruto da Campanha da Fraternidade, o fundo destinou mais de 25 milhões de reais nos últimos 4 anos a cerca de 900 projetos de transformação social em todo o país. Dom Ricardo incentivou os padres a serem promotores do Fundo Diocesano de Solidariedade em suas bases.

O arcebispo de Olinda e Recife (PE) e segundo vice-presidente da CNBB, dom Paulo Jackson Nóbrega de Souza, detalhou o esforço da Presidência para garantir a estabilidade do Colégio. Ele ressaltou o trabalho de convencimento junto ao episcopado brasileiro para que parte do Fundo Comunhão e Partilha seja destinado especificamente à formação permanente. Segundo Dom Paulo, o Colégio não é apenas uma residência, mas uma “casa de formação permanente”. Ele listou as seis fontes vitais de manutenção: bolsas externas (que vêm diminuindo), o projeto Comunhão e Partilha, as mensalidades das dioceses, hospedagens, a Pontifícia Comissão para a América Latina e o Santuário Nacional de Aparecida.

O encontro foi concluído por dom João Justino, primeiro vice-presidente da CNBB, que destacou o processo de revisão do documento 110 da CNBB, que trata das diretrizes da formação presbiteral no Brasil (Ratio Fundamentalis) e ressaltou a importância da contribuição dos padres estudantes nesse processo que será conduzido pela Comissão para os Ministérios Ordenados e Vida Consagrada.

 

Equilíbrio nas dimensões

O diretor espiritual do Colégio Pio Brasileiro, dom Armando Bucciol, bispo emérito da diocese de Livramento de Nossa Senhora (BA), refletiu durante o encontro sobre a importância de equilibrar as diferentes dimensões da formação dos padres. Com base em sua experiência como reitor e bispo, ele alertou que a dimensão intelectual, embora fundamental, muitas vezes acaba deixando “de escanteio” a formação humana e a espiritualidade. Para o bispo, o estudo deve ser um alimento, e não um isolamento que afasta o presbítero da experiência com o Cristo e com os irmãos.

 

Com informações e fotos do Colégio Pio Brasileiro

 

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