Dom José Gislon
Bispo de Caxias do Sul (RS)
Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus! No texto do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas (Lc 24,13-35) temos a narrativa de dois dos discípulos de Jesus, que caminham desiludidos, tristes, decididos a deixar para trás a amargura dos acontecimentos que marcaram a vida de Jesus e a decepção dos seus discípulos, diante das expectativas que alimentavam no silêncio do coração.
Antes daquela Páscoa estavam cheios de entusiasmo, convencidos de que aqueles dias teriam sido determinantes para as suas expetativas pessoais, mas também seria uma resposta à esperança de todo o povo, que aguardava a vinda do Messias. Jesus, ao qual tinham confiado a própria vida, parecia ter finalmente chegado à batalha decisiva: agora manifestaria o seu poder, depois de uma longa fase de preparação dos discípulos que o acompanhavam. Era isso o que eles esperavam. Mas em Jerusalém não participaram de uma momento de glória, ao contrário, se confrontaram com o ódio, a violência e a morte de Jesus na cruz. Expectativas de glória e decepção estavam no coração dos dois discipúlos de Emaús.
Os dois peregrinos cultivavam uma esperança somente humana, que agora desabava diante dos acontecimentos. Aquela cruz erguida no Calvário era o sinal mais eloquente de uma derrota que não tinham previsto. Se, realmente, aquele Jesus era o Messias esperado, o enviado de Deus, podiam chegar à conclusão que Deus é incapaz de opor resistência ao mal e à violência dos homens.
O encontro de Jesus com aqueles dois discípulos parece ser totalmente casual: assemelha-se a uma das numerosas encruzilhadas que a vida nos apresenta, quando menos esperamos. Os dois discípulos prosseguem pensativos e um desconhecido caminha ao lado deles. É Jesus. Mas os seus olhos não são capazes de o reconhecer, porque estão centrados na dor e na desilusão que viveram em Jerusalém. Então Jesus começa a sua “terapia da esperança”.
O que acontece naquela estrada, que transforma a vida dos dois discipulos, é uma terapia da esperança. E quem a faz é Jesus, que caminhando com eles escuta seus lamentos e vê as dores que carregam no coração e os acompanha, em cada passo do retorno para Emaús, de onde tinham partido com o coração cheio de esperança, na peregrinação para Jerusalém.
Todos nós, na nossa vida, tivemos ou temos momentos difíceis, obscuros; momentos nos quais caminhávamos tristes, pensativos, sem horizontes, como se tivessemos um muro intransponível à nossa frente, sem perspectivas em relação ao amanhã. Mas Jesus sempre pode nos surpreender. Caminhando ao nosso lado, no silêncio, escuta os nossos lamentos, cura nossas feridas, para nos dar esperança, para nos aquecer o coração e dizer: “Vai em frente, estou contigo. Vai em frente”. O segredo da estrada que conduz a Emaús resume-se inteiramente nisto: mesmo através das aparências contrárias, continuamos a ser amados, e Deus nunca deixará de nos querer bem. Deus caminhará sempre conosco, sempre, até nos momentos mais dolorosos, nos períodos mais difíceis, também nos momentos de derrota: ali está o Senhor. E essa é a nossa esperança. Vamos em frente com essa esperança! Porque Ele está ao nosso lado e caminha conosco, sempre!
