A Equipe de Animação da Rede Clamor Brasil se reúne nesta terça-feira, 17, na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília (DF), para discutir ações e prioridades no atendimento a migrantes, refugiados e vítimas de tráfico de pessoas. O encontro contou com a presença do Núncio Apostólico no Brasil, dom Giambattista Diquattro; do secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers, do subsecretário-geral da CNBB, padre Leandro Megeto; além de representantes de diversas instituições eclesiais.
Entre os principais pontos da reunião esteve a preparação da Assembleia Anual e Formativa da Rede Clamor, que será realizada de 26 a 28 de maio, no Seminário João XXIII, em São Paulo. O encontro deverá aprofundar a reflexão sobre a realidade da mobilidade humana e a aplicação da Doutrina Social da Igreja no contexto das migrações e do refúgio.
A agenda também incluiu a organização de momentos celebrativos importantes ao longo do ano, como a Semana Nacional do Migrante, de 15 a 22 de junho, e o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, celebrado em 29 de setembro. Outro tema em pauta foi a possibilidade de sugerir ao Conselho Episcopal Pastoral (Consep) da CNBB uma temática voltada aos migrantes e refugiados para futuras edições da Campanha da Fraternidade.
Sensibilizar a Igreja para a defesa da vida

Bispo referencial da Rede Clamor Brasil, dom Nereudo Henrique, destacou a importância da presença do Núncio Apostólico no encontro e o chamado à reflexão sobre a realidade migratória à luz da Doutrina Social da Igreja.
Segundo ele, o momento é oportuno para sensibilizar toda a Igreja – leigos, religiosos e clero – sobre a urgência da acolhida.
“Cada migrante traz consigo uma história, muitas vezes marcada por sofrimento e deslocamento forçado, inclusive por questões climáticas. Nosso papel é acolher e defender a vida com dignidade, independentemente de onde a pessoa esteja”, afirmou.
Articulação e missão em rede
Coordenador da Rede Clamor Brasil, o padre Lauro Bocchi ressaltou que o objetivo da reunião foi fortalecer a articulação entre as diversas instituições católicas que atuam no serviço aos migrantes e refugiados.
“São muitas iniciativas e a função da Rede é colocá-las em diálogo, aproximar e fortalecer esse trabalho conjunto”, explicou.
Ele destacou ainda a contribuição do Núncio Apostólico, que incentivou uma abordagem fundamentada na caridade e na Doutrina Social da Igreja, evitando leituras ideológicas sobre o tema.
Entre as propostas em discussão está a possibilidade de uma futura Campanha da Fraternidade dedicada à temática migratória, possivelmente em 2029 ou 2030. Outro eixo importante é a incidência política, especialmente diante da construção de políticas migratórias no país.
“Sentimos que a Igreja precisa estar mais presente nesse debate, sempre com olhar atento às pessoas que chegam ao Brasil”, afirmou.
O padre também chamou atenção para a interiorização do fenômeno migratório. “Os migrantes estão cada vez mais presentes fora dos grandes centros, o que exige da Igreja novas formas de presença e apoio nessas regiões”, disse.
Desafios e perfil migratório no Brasil

Durante a reunião, a diretora do Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH), irmã Rosita Milesi, apresentou um panorama atual das migrações no Brasil. Segundo ela, os venezuelanos continuam sendo o maior grupo atendido pelas instituições, seguidos pelos haitianos, além de pessoas de mais de 50 nacionalidades.
Ela destacou que o país abriga mais de 2 milhões de pessoas não brasileiras, número considerado pequeno em relação à população total. No entanto, os desafios permanecem, especialmente no acolhimento e na integração.
Entre as dificuldades, estão as novas exigências da política de acolhida comunitária, que demanda maior responsabilidade das organizações da sociedade civil, além das limitações enfrentadas por grupos como haitianos e afegãos. “Há avanços, como o visto humanitário, mas também muitos obstáculos no processo de integração”, avaliou.
A irmã também mencionou a continuidade da Operação Acolhida, em Roraima, que realiza o acolhimento e a interiorização de migrantes, embora ainda haja lacunas na integração dessas pessoas nas cidades de destino.
Já o vice-coordenador da Cáritas Arquidiocesana de São Paulo, padre Marcelo Maróstica Quadro, destacou mudanças recentes no perfil migratório no país. Além de venezuelanos e haitianos, houve aumento significativo na chegada de cubanos e marroquinos. “Somente no ano passado, cerca de 40 mil cubanos entraram no Brasil”, afirmou.
Missão e identidade da Rede Clamor
A Rede Clamor Brasil é uma articulação eclesial que reúne 27 instituições – entre pastorais, congregações religiosas e organismos – dedicadas à promoção e defesa dos direitos de migrantes, refugiados e vítimas de tráfico de pessoas. Vinculada à CNBB, a Rede atua por meio da formação, incidência, solidariedade e trabalho em rede, com o objetivo de garantir dignidade, justiça e integração às pessoas em situação de mobilidade humana.
Por Larissa Carvalho | Fotos: Paulo Augusto Cruz | Ascom CNBB





