Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)

Celebramos neste dia 31 de julho a memória litúrgica de Santo Inácio de Loyola. Dentre os santos que celebramos nesse mês de julho, Santo Inácio se destaca devido a sua história de vida e tudo aquilo que ele deixou de ensinamento para nós. Ele viveu num período difícil para a Igreja na Europa, com muitas perseguições na Idade Média.

Ele fundou junto com São Francisco Xavier a Companhia de Jesus, os jesuítas, ele preparou vários missionários, inclusive os que viriam para o Brasil. O desejo de Santo Inácio é que o cristianismo fosse espalhado pelo mundo. Inclusive São José de Anchieta, o apóstolo do Brasil, era jesuíta, veio de Portugal e aqui no Brasil catequizou os indígenas e junto com seu companheiro de missão Pe. Manoel da Nóbrega fundaram a cidade de São Paulo.

Os Jesuítas têm um grau de importância muito grande para a Igreja, são conhecidos por sua missão de evangelização e catequese, ajuda aos pobres e mais vulneráveis, e ainda são conhecidos por uma vida dedicada a contemplação e oração. Santo Inácio inclusive é patrono dos retiros espirituais, pois, ele deixou escrito o caminho para se encontrar com o Senhor através da oração, são os exercícios espirituais de Santo Inácio, no silêncio escutamos Deus falar conosco. Nesse ano de 2026 comemoramos e redemos graças à Deus pelos 400 anos da missão Jesuítica no Brasil.

Além de Santo Inácio de Loyola e São José de Anchieta, temos um outro santo Jesuíta bem conhecido de nós e que morreu muito jovem devido a uma doença, trata-se de São Luiz Gonzaga, patrono dos seminaristas e dos jovens. Que esses três santos intercedam por nós e peçamos a luz do Espírito Santo para que tenhamos coragem para sairmos em missão e evangelizar.

Inácio de Loyola nasceu em 1941 na Espanha, em uma família nobre, rica, porém cristã. Ele era o mais novo de treze filhos e cresceu voltado para os luxos da corte. Mais adiante a exemplo de outros santos, ele largará tudo para servir o Senhor. Antes, porém, Inácio optou pela carreira militar e era um exímio cavaleiro, desde muito cedo se empenhava ao defender o que acreditava e não se importava nem de perder a própria vida dessa forma.

Infelizmente em uma grande batalha para defender Pamplona, Santo Inácio foi ferido com uma bala de canhão que lhe fez cair e ficar em convalescença por um bom tempo até se recuperar. Esse tempo serviu para Santo Inácio refletir na vida, aproveitou o tempo livre para ler livros que narravam a vida dos santos que deram tudo de pela causa do reino. A partir de então, Santo Inácio começou a se perguntar por que ele não poderia fazer o mesmo.

Quando se recuperou, Santo Inácio viveu para defender o Reino e trocou as coisas dessa terra pelas do alto, ou seja, a exemplo de outros santos que conhecemos abandonou tudo o que era mundano, como por exemplo: dinheiro, roupas finas e moradia de luxo, para se despojar e viver em função do reino e da providência divina. Quando se curou foi a capela de Nossa Senhora do Montserrat, pendurou a sua espada no altar e deu as costas ao mundo da corte.

Santo Inácio foi um grande peregrino, viveu a mendicância e grandes batalhas espirituais e ainda a “santa indiferença, ele dizia: “da nossa parte, não queiramos mais saúde que enfermidade, riqueza que pobreza, honra que desonra, vida longa que vida breve e, assim por diante em tudo o mais, desejando e escolhendo somente aquilo que mais nos conduz ao fim para o qual somos criados”.

Quando esteve em Paris, em 1534 junto a São Francisco Xavier e outros companheiros, fundou a Companhia de Jesus. Alguns membros foram enviados para evangelizar o Brasil. Santo Inácio preparou e enviou os missionários jesuítas ao mundo todo para evangelizar e espalhar o cristianismo. Os jesuítas tiveram grande importância na história e na difusão do cristianismo, e ao longo da idade média foram crescendo em diversas partes do mundo.

Santo Inácio morreu no dia 31 de julho de 1556, em Roma, na Itália, depois de evangelizar bastante e preparar os missionários para a missão. Foi canonizado não muito tempo depois de sua morte em 1622. Deixou muitos escritos e ensinamentos importantes para toda a Igreja. É considerado o padroeiro dos retiros espirituais devido a sua incessante busca interior, ele deixou os escritos sobre os exercícios espirituais, inclusive é conhecido por todos nós os exercícios espirituais de Santo Inácio, ou o retiro Inaciano. Foi declarado padroeiro de todos os retiros espirituais pelo Papa Pio XI em 1922.

Quando foi proclamada a “bula de canonização” de Santo Inácio estava escrito: “Uma alma maior que o mundo”, pois, desde jovem Inácio de Loyola renegou as riquezas do mundo e escolheu a Deus, deixou de lado o que era profano e escolheu o Sagrado. Desde muito jovem nutria um amor profundo a Deus e a Igreja, em sua vida sempre colocou Deus em primeiro lugar.

Ao conseguirmos converter um irmão, o ganhamos para Deus e coloca-se em prática a frase dita por Santo Inácio: “Tudo para a maior glória de Deus”. Que em nossa vida diária possamos ganhar muitos irmãos para Deus e ajudá-los no caminho de conversão e que tudo seja para a maior glória de Deus. Pois, o tempo que vivemos hoje não é muito diferente do tempo que viveu Santo Inácio, muitas pessoas estão “abandonando” a fé e optam pelas coisas do mundo e não pelas de Deus. Que possamos conduzir muitas pessoas para Deus.

Celebremos com alegria a memória litúrgica de Santo Inácio de Loyola, busquemos conhecer melhor a vida desse grande Santo e coloquemos em prática os exercícios espirituais deixados por ele, por meio deles nos aproximamos mais de Deus.

Santo Inácio de Loyola, rogai por nós.

 

 

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