Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)
Celebramos na terça-feira, dia 3 de fevereiro, a memória litúrgica de São Brás, protetor contra todos os males da garganta. Ao final da Missa de São Brás acontece a tradicional bênção da garganta, com as velas colocadas em forma de X.
Seria prudente que, nesse dia, participássemos da Santa Missa e recebêssemos a bênção da garganta. Mesmo sendo durante a semana, dia de trabalho e estudo, quem sabe possamos fazer um esforço e participar da Missa, recebendo essa bênção. Ao recebê-la, os fiéis acreditam que, por intercessão de São Brás, ficarão livres de todas as doenças relacionadas à garganta ao longo do ano.
Caso não seja possível a participação na Santa Missa, a bênção da garganta pode ser recebida após a Missa ou no dia seguinte. Tudo aquilo que pedimos com fé, com certeza alcançamos; por isso, peçamos que, por intercessão de São Brás, Deus nos livre de todos os males da garganta.
São Brás era médico e viveu no século III da era cristã. Certa vez, passou por uma crise, pois não se sentia totalmente realizado. Essa crise não estava ligada à sua profissão, mas era uma crise existencial: ele sentia no coração que podia fazer algo mais.
Diante dessa crise existencial, São Brás buscou a Deus e viveu uma profunda experiência com Ele, e sua vida tomou outro rumo, dando uma verdadeira guinada. A mudança não ocorreu apenas no âmbito religioso, mas em todos os aspectos de sua vida. No campo profissional, melhorou bastante, e muitas pessoas o procuravam; além de tratar as doenças, ele também evangelizava. As pessoas notavam que aquele médico vivia a santidade.
São Brás sentia a necessidade da penitência e da oração e, de tempos em tempos, retirava-se para rezar. Costumava ir ao monte Argeu, onde, por meio da penitência e da oração, intercedia por todo o povo e pela Igreja. Rezava para que todos encontrassem a felicidade, a verdadeira felicidade que vem de Jesus Cristo.
Conta-se que, quando São Brás estava sendo conduzido ao martírio, uma mãe lhe apresentou o filho, uma criança de colo que estava quase morrendo por causa de uma espinha de peixe presa na garganta. São Brás atendeu aquela mãe, parou, olhou para o céu, orou, e Nosso Senhor curou a criança. Por isso, São Brás é também padroeiro dos veterinários, dos operários da construção, dos pedreiros e dos escultores.
São Brás foi ordenado sacerdote por vontade popular, mais por obediência do que por desejo próprio. Após o falecimento do bispo de Sebaste, na Armênia, o povo foi buscá-lo para ser seu pastor. Ele aceitou o pedido e, primeiro, foi ordenado presbítero; depois, eleito bispo, foi consagrado. Vivendo em constante renúncia e penitência, tornou-se um grande pastor, amado e respeitado por todos. Foi fiel à Igreja, homem corajoso, cuidava dos fiéis em sua totalidade e evangelizava com o próprio testemunho.
São Brás viveu em um tempo de intensa perseguição à Igreja. No Oriente, onde vivia, a perseguição era promovida pelo imperador Licínio, cunhado do imperador do Ocidente, Constantino. Licínio passou a perseguir os cristãos por motivos políticos e de ódio, pois sabia que Constantino era favorável a eles. Nesse contexto, o prefeito de Sebaste, querendo agradar ao imperador, enviou soldados ao monte Argeu, local onde São Brás havia estabelecido sua residência episcopal e de onde governava a Igreja, embora não permanecesse ali continuamente.
São Brás foi preso e submetido a várias tentativas para que renunciasse à fé. Por amor a Cristo e à Igreja, preferiu renunciar à própria vida e, no ano 316, foi degolado. Sua fama de santidade espalhou-se por muitos lugares e, por isso, é venerado em quase todas as partes do mundo. O milagre da garganta é recordado no dia 3 de fevereiro, e, ao final da Missa, aquele que preside a celebração profere a oração da bênção da garganta, usando velas cruzadas.
O sacerdote proclama a seguinte oração:
“Por intercessão de São Brás, bispo e mártir, livre-te Deus de todos os males da garganta e qualquer outra doença.” Amém.
Celebremos com alegria e muita fé a memória litúrgica de São Brás. Sejamos zelosos com as coisas de Deus e firmes na fé. Que, por intercessão desse santo, sejamos livres de todos os males da garganta e possamos proclamar as maravilhas que Deus realiza em nossa vida.
