Seguir o Mestre Jesus na realidade de hoje 

Dom José Gislon
Bispo de Caxias do Sul (RS)

 

 

Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus! Na sua missão de anunciar o Reino de Deus, andando à beira do mar da Galileia, Jesus viu dois irmãos: “Simão, chamado Pedro, e seu irmão André. Estavam lançando a rede ao mar, pois eram pescadores. Jesus disse a eles: ‘Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens’” (Mt 4,18-19). Jesus chamou os discípulos e a resposta deles foi imediata: “deixaram as redes e o seguiram” (Mt 4,20). 

Seguir Jesus como discípulo requer disponibilidade de coração para aceitar desafios, mesmo diante das incertezas. “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16,24). Isso é muito mais do que caminhar atrás de Jesus, é assumir um compromisso de estar com ele, amá-lo e anunciá-lo ao mundo. 

Jesus viveu a sua missão de anunciar o Reino de Deus na realidade da estrutura social e familiar do seu tempo. Mas, à luz da proclamação do Reino de Deus, começa a surgir uma nova família, não uma família particular, mas a família de Deus, unida pela fé. Nessa nova família, os novos laços familiares, marcados pela adesão à Cristo, como discípulos, estão abertos a todos os seres humanos, independente da nacionalidade, da cultura ou raça. A nova família cristã não difere só dos padrões convencionais de vida familiar, mas está aberta a novas formas de respeito, marcadas pelo amor, atenção e cuidado da vida, nas relações humanas.  

O cristianismo deu espaço a uma nova forma de família, formada por laços de fé. Esta não prescinde da família como unidade básica em que se aprende a prática do amor a Deus, ao próximo e a si mesmo, mas é a que mais bem representa a natureza, extensão e qualidade dessa nova vida familiar. Nessa nova família Deus é o verdadeiro Pai, mas não um Pai que se impõe pelo poder, mas pelo amor, pela misericórdia e compaixão pelos seus filhos. 

O Papa Francisco, no Congresso internacional sobre a catequese, dizia: “quem coloca no centro da própria vida Cristo, se descentraliza! Quanto mais você se une a Jesus e Ele se torna o centro da sua vida, mais Ele o faz sair de si mesmo, o descentraliza e o abre aos outros. Esse é o verdadeiro dinamismo do amor, esse é o movimento de Deus! Deus é o centro, mas é sempre dom de si, relação e vida que se comunica”. 

Queridos irmãos e irmãs! Se permaneceremos unidos a Cristo, Ele nos faz entrar nesse dinamismo de amor. Onde existe uma verdadeira vida em Cristo, existe a abertura para o outro, existe a saída de si para abraçar o discipulado e colocar-se a serviço do Evangelho, para ir ao encontro do outro em nome de Jesus Cristo.  A cultura da indiferença, tão presente nas relações familiares e comunitárias, não nos fala do amor, da paixão e da ternura de Deus. Não nos ajuda a percorrer o caminho do encontro com o Mestre Jesus, para ouvirmos as suas palavras. “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16,24. 

Tags:

leia também