Dom Carmo João Rhoden
Bispo Emérito de Taubaté (SP)
Segunda-Feira Santa, 30 03/26.
Acompanhemos a trajetória de Jesus, ao encontro de sua morte. Ele (Jesus) procurou conforto na casa de amigos, no caso a de Lázaro, Marta e Maria. Ali foi extraordinariamente bem acolhido e servido. Ofereceram-lhe até um banquete, na qual Maria lhe ungiu os pés, com meio litro de perfume precioso, tanto é verdade que o recinto ficou totalmente perfumado. Ela, ainda mostrando seu amor e carinho ao Mestre, enxugou os pés com seus cabelos. O gesto há uns desagradou, mas Jesus a defendeu das críticas dos seus inimigos dizendo: “O que ela está fazendo quer preparar-me para a sepultura”. Acrescentou ainda afirmando: “Pobres terei sempre convosco, mas a mim nem sempre.” Jesus, de fato, não só defendia os necessitados, os pobres, mas ele próprio, se fez pobre. Vivendo com e como pobre.
A felicidade, contudo neste mundo, não foi duradoura nem para Jesus. Judas – logo quem – criticou a ação de Maria, dizendo: “Por que tal desperdício? não se deveria contar montante ajudar os pobres”. João, com perspicácia acrescentou: Ele o fazia não porque amasse os pobres, mas sendo “ecônomo do grupo”, costumava desviar as ofertas roubando-as. E eu o que direi? Até, parece que já estávamos no Brasil… pois tão belo e prendado, mas onde ainda cresce, espantosamente o número dos aproveitadores quando não até ladrões dos mais desfavorecidos.
E nós, cristãos, hoje como agimos? já compreendemos o alcance de nossa missão? ela, “família de Lázaro e Maria”, colaborou de corpo, alma e coração com Jesus. Deu-nos, um belo exemplo. Como imitamos? não basta, admirá-la, mas é preciso imitá-la no acolhimento dos irmãos (as) mormente mais necessitados. Não nos faltam belos exemplos, dos que nos precederam. É preciso, portanto, continuá-los em nossos tempos, religiosamente tão fragilizados e até confusos, por isso mesmo tão necessitado de verdadeiros discípulos, de homens e mulheres convictos, de pessoas que vivam o que professam.
Abençoada Semana Santa para todos.
