Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)
Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus
“Que Deus nos dê a sua graça e a sua benção” (66/67)
Celebramos no dia 1º de janeiro a Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus. Essa solenidade encerra o período da Oitava do Natal e, a partir do dia 2 de janeiro, continuaremos com o Tempo do Natal, que se estenderá até a Festa do Batismo do Senhor. Nesse dia 1º de janeiro celebramos também o Dia Mundial da Paz; peçamos, nesta celebração, a intercessão da Virgem Maria pela paz mundial. Rezemos com confiança para que o ano de 2026 seja melhor para todos nós.
Essa solenidade pode ser celebrada a partir da tarde da quarta-feira, como acontece sempre: na tarde do dia anterior a uma solenidade, já celebramos as suas vésperas. A Festa da Sagrada Família foi celebrada no domingo passado, dia 28, e, no próximo domingo, celebraremos a Solenidade da Epifania do Senhor; no domingo seguinte, dia 11, encerra-se o Tempo do Natal com a Festa do Batismo do Senhor.
Portanto, o dia 1º de janeiro é um dia de preceito, um dia santo de guarda, em que devemos participar da Santa Missa, seja na noite do dia 31, caso a paróquia já celebre Santa Maria, Mãe de Deus, seja no próprio dia 1º. Ao celebrar Santa Maria, Mãe de Deus, a Igreja quis dar um caráter religioso a um feriado que seria apenas civil, comemorado como confraternização universal. Por isso, a Igreja decidiu colocar o dogma de Maria, Mãe de Deus, nesse dia, para que Ela interceda junto a Deus por nós e pela paz.
Mãe de Deus é um dogma, ou seja, uma verdade de fé que a Igreja apresenta aos fiéis para que nela acreditem. O dogma da Maternidade Divina de Maria é o mais antigo entre os quatro dogmas marianos. Esse dogma foi proclamado no Concílio de Éfeso, em 431. Naquele contexto, algumas pessoas colocavam em dúvida as duas naturezas de Jesus, isto é, se Ele era verdadeiramente humano e verdadeiramente divino. No Concílio, foi definido que Cristo possui as duas naturezas e, consequentemente, Maria, por ser Mãe do Filho de Deus, é verdadeiramente Mãe de Deus. O termo “Mãe de Deus” vem do grego Theotókos, afirmando que Jesus Cristo é plenamente humano e plenamente divino.
A primeira leitura dessa solenidade é do livro dos Números (Nm 6,22-27). O Senhor fala a Moisés para que ele diga a Aarão e a seus filhos como devem abençoar o povo. A bênção que vem de Deus nos dá forças para seguir em frente e enfrentar as lutas diárias. Hoje em dia, perdeu-se o costume de pedir a bênção aos pais, avós e padrinhos. Esse é um costume que vem desde o Antigo Testamento e não devemos deixar que essa tradição se perca. Ao dizer “Deus te abençoe” ao próximo, estamos desejando-lhe o bem e confiando tudo o que ele fizer à proteção divina. Ensinemos novamente às novas gerações a importância de pedir a bênção e manter viva essa tradição. Que a bênção do Senhor nos acompanhe ao longo deste ano e nos conceda muita paz.
O salmo responsorial é o Salmo 66 (67), que nos diz em seu refrão: “Que Deus nos dê a sua graça e sua bênção”. O refrão do salmo é resposta àquilo que ouvimos na primeira leitura, e o salmista pede que o Senhor nos conceda a sua graça e a sua bênção. Que todos os povos possam conhecer os caminhos do Senhor e descobrir que somente a paz pode construir um mundo melhor. Que Deus nos conceda a graça de estarmos em paz com Ele, com o próximo e com os irmãos de comunidade.
A segunda leitura desta solenidade é da Carta de São Paulo aos Gálatas (Gl 4,4-7). Paulo diz à comunidade da Galácia que, no momento oportuno, Deus enviou o seu Filho ao mundo, nascido de uma mulher e sujeito à lei humana. Ele assumiu a condição humana para ensinar à humanidade o caminho do amor e da fraternidade, e mostrou a importância de construirmos, aqui na terra, o Reino de Deus, para vivê-lo plenamente no céu. Cristo é o herdeiro, e nós somos coerdeiros da graça.
O Evangelho dessa solenidade é de São Lucas (Lc 2,16-21). Nesse trecho, Lucas narra a ida dos pastores a Belém para se encontrarem com Maria e José, a fim de adorar o Menino Deus. Eles contaram tudo o que haviam ouvido a respeito do Menino, e todos ficaram admirados; Maria, porém, guardava e meditava todas essas coisas em seu coração.
Os pastores voltaram louvando e glorificando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido, conforme o Anjo lhes havia anunciado. O Menino que nasceu veio para ser o Rei de Israel e ensinar à humanidade que somente o amor pode construir um mundo mais justo e fraterno. O Messias nasceu pobre e humilde para confundir os ricos e ensiná-los de que a riqueza não salva, mas sim o amor e a solidariedade.
José e Maria, ao completar-se o tempo prescrito pela Lei, levaram o Menino para ser circuncidado e deram-lhe o nome de Jesus, como havia sido anunciado pelo Anjo. Neste domingo, rendamos graças a Deus por ter enviado o seu Filho Jesus e permitido que Ele nascesse de um ventre materno. Neste dia, peçamos à Virgem Maria que nos proteja e nos guarde e que, à semelhança dela, saibamos guardar e conservar tudo em nosso coração, fazendo sempre a vontade de Deus.
