Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)
Na segunda-feira, dia 12 de janeiro inicia-se o tempo litúrgico chamado Tempo Comum que antigamente se chamava “tempo durante o ano”, que é celebrado em duas partes. Essa primeira parte começa logo após a Festa do Batismo do Senhor e vai até a terça-feira de Carnaval. A partir da Quarta-feira de Cinzas, o Tempo Comum faz uma pausa e retoma após a Solenidade de Pentecostes, em sua segunda parte, estendendo-se até a semana após a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. O Tempo Comum é bastante extenso, com trinta e quatro semanas.
A cor litúrgica predominante ao longo do Tempo Comum é a verde, pois essa cor remete à esperança, ou seja, à esperança na vinda do Reino de Deus anunciado por Jesus. Ao longo do Tempo Comum, acompanhamos a vida pública de Jesus anunciando o Reino de Deus e o caminho que Ele percorreu até entrar em Jerusalém. O Reino de Deus é justiça, paz, perdão e misericórdia, tudo aquilo que Jesus anunciava. Ao longo da nossa vida, somos chamados a anunciar o Reino de Deus desde o nosso batismo: tornamo-nos discípulos e missionários de Jesus, sacerdotes, profetas e reis. Devemos anunciar o Reino de Deus aqui na terra para vivê-lo de maneira definitiva na vida eterna.
O Tempo Comum direciona a vida do cristão, e todo cristão deve pautar a sua vida à semelhança do que aconteceu com Jesus. O Ano Litúrgico da Igreja nos ajuda nisso: após o batismo, Jesus é movido pelo Espírito Santo ao deserto, sofre as tentações e, logo depois, inicia a vida pública. Ao ser batizado, o Espírito Santo é revelado, e tudo aquilo que Jesus realizava era por obra do Espírito Santo. Os cristãos, de igual modo, após o batismo, são chamados a anunciar o Reino de Deus com a força do Espírito Santo. Durante a Quaresma, os cristãos são convidados a ir ao deserto com Jesus e a vencer as tentações, conforme Ele venceu. E, após Pentecostes, os cristãos renovam a força do Espírito Santo que trazem em si desde o batismo e são convidados a renovar o espírito missionário e a continuar anunciando o Reino, até entrar em Jerusalém com Jesus.
Ao longo dos domingos do Tempo Comum temos sempre um evangelista sinótico que nos acompanha e nos ajuda a rezar a cada ano. Os evangelistas sinóticos são Mateus, Marcos e Lucas. João é o quarto evangelho e aparece no tempo do Natal e da Páscoa e nas solenidades e festas. Neste ano, que é o Ano Litúrgico “A”, o evangelista sinótico que nos acompanha e nos ajuda a rezar é São Mateus. No ano “B”, é Marcos, e no ano “C”, é Lucas.
Algumas celebrações e solenidades importantes acontecem ao longo do Tempo Comum e marcam a vida da Igreja, como, por exemplo, a Santíssima Trindade, o Sagrado Coração de Jesus e Corpus Christi. No mês de agosto, celebramos o mês vocacional; em outubro, o mês missionário e do Rosário. Recordamos que cada batizado é chamado por Deus a construir o Reino de Deus aqui na terra, a responder a uma vocação específica e a ajudar a sua comunidade a crescer no discipulado de Jesus.
Devemos viver e participar com fé e alegria das celebrações ao longo de todo o Ano Litúrgico, pois, em cada tempo litúrgico, contemplamos uma parte da vida e do ministério de Jesus. Ao percorrer todo o Ano Litúrgico, contemplamos também, em todos os momentos, o mistério central da nossa fé, que é a paixão, morte e ressurreição de Jesus.
O Tempo Comum nos ajuda a ter um senso de comunidade, ou seja, ninguém constrói o Reino de Deus sozinho, mas com a ajuda do próximo. Jesus não enviou um discípulo sozinho para edificar o Reino, mas enviou doze. O próprio Jesus não evangelizava sozinho, mas o grupo dos discípulos ia junto com Ele. Da mesma forma hoje, Jesus não nos envia sozinhos para a missão, mas junto com a comunidade. Aproveitemos este Tempo Comum para nutrir em nosso coração o desejo de ser discípulos missionários do Senhor.
Durante este Tempo Comum, rezemos pelas necessidades da Igreja, pelo Papa Leão XIV, por nosso bispo diocesano, pelos padres, diáconos e seminaristas. Rezemos especial pelos leigos e leigas e para que nunca faltem pessoas dispostas a levar adiante a mensagem do Evangelho. Que a Igreja, conduzida pelo Santo Padre, o Papa Leão XIV, continue sendo sinal de salvação para todos. Rezemos pelos pobres, desempregados, doentes, marginalizados e pelos fiéis defuntos. Rezemos para que todos tenham saúde, educação e emprego. Intensifiquemos ainda a nossa oração pela paz mundial, para que o diálogo seja o meio de construir pontes de fraternidade.
Temos um motivo para celebrar e nos alegrar ao longo deste ano, pois estamos no Ano Jubilar Arquidiocesano, no qual recordamos os 450 anos da Prelazia do Rio de Janeiro (no ano passado) e os 350 anos como Diocese (neste ano). Além disso recordamos os 50 anos da transferência da nossa Catedral Metropolitana para onde se encontra hoje. Temos também o centenário do início da adoração perpétua com a chegada dos Padres Sacramentinos. Festejemos e mantenhamos viva esta Igreja, como tem sido ao longo desses anos.
Celebremos o mistério da Palavra de Deus encarnada ao longo deste Tempo Comum e peçamos que Deus nos guie na missão de discípulos e missionários de Jesus.
