Tenhamos um olhar compassivo como o de Jesus! 

Dom Anuar Battisti
Arcebispo Emérito de Maringá (PR)

 

Neste 11º. Domingo do Tempo Comum, a Palavra de Deus que vamos refletir nos recorda a presença constante de Deus no mundo e a vontade que Ele tem de oferecer aos homens, a cada passo, a sua vida e a sua salvação. No entanto, a intervenção de Deus na história humana concretiza-se através daqueles que Ele chama e envia, para serem sinais vivos do seu amor e testemunhas da sua bondade. A liturgia deste Domingo reafirma que somos o povo eleito do Senhor. Ele se aproxima de nós com amor sem medida e misericórdia eterna. 

A primeira leitura – Ex 19,2-6a – nos apresenta o Deus da “aliança”, que elege um Povo para com ele estabelecer laços de comunhão e de familiaridade; a esse Povo, Deus confia uma missão sacerdotal: Israel deve ser o Povo reservado para o serviço de Deus, isto é, para ser um sinal de Deus no meio das outras nações. Este “preâmbulo” da Aliança que está prestes a ser firmada, porque o povo, recém-libertado da escravidão no Egito, encontra-se no deserto do Sinai. Moisés sobre à montanha para se encontrar com Deus. A fala do Senhor ao profeta se divide em dois momentos. O primeiro é uma recordação dos feitos de Deus em favor do povo, em resumo, a libertação do Egito. O segundo é uma exortação para que escutem sua Palavra e permaneçam fiéis à Aliança. Deus está preparando o coração do povo para acolher o dom da Lei. 

O Evangelho – Mt 9,36-10,8 – nos traz o “discurso da missão”. Nele, Mateus apresenta uma catequese sobre a escolha, o chamamento e o envio de “doze” discípulos (que representam a totalidade do Povo de Deus) a anunciar o “Reino”. Esses “doze” serão os continuadores da missão de Jesus e deverão levar a proposta de salvação e de libertação que Deus fez aos homens em Jesus, a toda a terra. No Evangelho é o próprio Jesus que se move ao encontro da multidão. Ao vê-la, enche-se de compaixão e deseja agir em favor dela. O Senhor dá início a formação do novo Povo de Deus, edificando-o sobre o alicerce dos Apóstolos, cujos nomes são apresentados no texto de hoje. A missão confiada a eles é a mesma que a do Mestre: curar os enfermos, ressuscitar os mortos, purificar os leprosos e expulsar os demônios (Mt 10,8). O conteúdo do anúncio que devem proclamar é a proximidade do Reino dos Céus (Mt 10,7b). A missão começa pelas ovelhas perdidas da casa de Israel, mas, pela compaixão do Senhor, a salvação se estenderá a todos os povos. 

A segunda leitura – Rm 5,6-11 – sugere que a comunidade dos discípulos é fundamentalmente uma comunidade de pessoas a quem Deus ama. A sua missão no mundo é dar testemunho do amor de Deus pelos homens – um amor eterno, inquebrável, gratuito e absolutamente único. O amor de Deus se manifestou na morte de seu Filho, que entregou a sua vida por nós também por amor. Trata-se de um gesto gratuito de Jesus por nós, pecadores. Sua ressurreição provoca em nós uma transformação na vida. 

Hoje somos chamados a ter o mesmo olhar de Jesus. O olhar terno de Jesus é a manifestação de um cuidado visceral. Ele vê a multidão como “ovelhas sem pastor”, metáfora que evoca a imagem dos seres indefesos e necessitados de proteção. Seu olhar é um convite à segurança e ao descanso, transmitindo a certeza de que há alguém que se importa com a condição de quem se sente desemparado. A ternura no olhar de Jesus para as multidões é a perfeita união entre uma percepção aguçada da dor do outro e um afeto carinhoso. É olhar que não apenas entende o sofrimento, mas sobretudo acolhe o sofredor e se move para aliviá-lo. Nós, discípulos de Jesus, em tempos de indiferença e de anestesiamento de tantos corações, faremos diferença no mundo se nos deixarmos encantar pelo olhar comovente de Jesus! Tenhamos um olhar compassivo como o de Jesus! 

 

 

 

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