Dom José Gislon
Bispo de Caxias do Sul (RS)
Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus! No próximo dia 11, festa de Nossa Senhora de Lourdes, a Igreja celebra o XXXIV Dia Mundial do Enfermo. E o nosso Papa Leão XIV escolheu como tema: “A compaixão do samaritano: amar carregando a dor do outro”. É um tema que ajuda a conscientizar os fiéis e a sociedade sobre a importância de olharmos os nossos enfermos, tendo como exemplo o gesto do Bom Samaritano.
O Bom Samaritano realiza um gesto bem concreto de amor ao próximo, “cuidando do homem sofredor que caiu nas mãos de ladrões”. Portanto, o amor “requer gestos concretos de proximidade, por meio dos quais assumimos o sofrimento dos outros, especialmente dos doentes, muitas vezes num contexto de fragilidade por causa da pobreza, do isolamento e da solidão” (Mensagem do Papa Leão XIV).
“Ainda hoje, Jesus Cristo, o ‘Bom Samaritano’, aproxima-se da humanidade ferida para derramar, através dos sacramentos da Igreja, o óleo da consolação e o vinho da esperança, inspirando ações e gestos de ajuda e proximidade, aos que vivem em condições de fragilidade, devido à doença”. Diante de realidades feridas que encontramos pelo caminho, na peregrinação da vida, podemos ter a atitude de quem viu o ferido caído e passou adiante, ou do Bom Samaritano, que vê o caído com os olhos do coração, sente compaixão e se aproxima dele, para cuidar de suas feridas” (Idem).
O Dia Mundial dos Enfermos é uma oportunidade para refletirmos sobre o cuidado da vida, mas principalmente de como estamos cuidando de quem está enfermo. Vivemos num mundo de fortes contrastes tecnológicos e sociais. De uma parte temos o avanço da medicina, graças à pesquisa científica que possibilitou a descoberta de novos medicamentos. Por outro lado, vemos os contrastes provocados pelas desigualdades econômico-sociais e pelas mudanças na nossa sociedade, principalmente na estrutura familiar.
Quando nos referimos aos enfermos, talvez não nos damos conta das suas várias realidades. Os que estão nos hospitais, para procedimentos ou em tratamento, são uma pequena parcela dos milhares de enfermos que temos na nossa sociedade. Onde estão os outros, que muitas vezes não vemos? Estão nas poucas casas de “repouso” lotadas, com filas de espera e nas famílias.
Os enfermos não devem passar despercebidos das nossas ações pastorais e caritativas, em todas as realidades. É sempre indispensável a visita pessoal, que proporciona proximidade de coração e calor humano, bem como a assistência espiritual, que conforta a alma de quem muitas vezes tem o corpo debilitado, mas precisa ser fortalecido na fé e na esperança em relação à vida presente e futura.
Nos ambientes onde vivem os enfermos se faz também necessário ter uma palavra de conforto espiritual para aqueles que cuidam dos enfermos. Lembrando que a rotina do dia a dia pode os levar ao cansaço e à perda da sensibilidade em relação à dor, e até em relação à própria presença do enfermo, na vida profissional, na família e na comunidade. Que a celebração do dia Mundial dos Enfermos ajude a despertar a nossa sensibilidade pela dor do outro.
