Unidade, amor, misericórdia

Desejo a todos que a Paz do Cristo Ressuscitado esteja em seus corações e espalhando-se por todas as atividades que cada um desenvolve.

Apresento-me a você, leitor, como aquele que foi enviado para servir a esta Igreja do Rio de Janeiro e, como Igreja, ser, junto com todos, sinal de Jesus Cristo presente nesta sociedade.

Ao iniciar minha missão neste segundo domingo da Páscoa e também da Misericórdia, alegro-me por escutar a voz do Senhor a nos dizer nos Atos dos Apóstolos: “a multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma”. Mesmo que as interpretações exegéticas possam colocar este texto mais como anúncio do futuro do que talvez uma realidade da época, é, no entanto, Palavra de Deus para nós. É uma direção que espero que sigamos: a da unidade! Muitas vezes falaremos sobre esse assunto que é fundamental em nossa vida eclesial, pois disso depende a fé – “para que o mundo creia”!

É importante que nos Atos a unidade seja anunciada como partilha de bens: “tudo entre eles era posto em comum”! Nesse nosso mundo de tantas injustiças e individualismo, a fé cristã e católica nos faz ser sinais de outro mundo, onde reinam a fraternidade e o amor. Eis o grande desafio cristão de nossos tempos! Muitos tentam por várias fórmulas encontrar esse caminho, nós o trilhamos pela fé!

Também somos chamados a viver a nossa fé no amor mútuo: “podemos saber que amamos os filhos de Deus quando amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos”, recorda-nos hoje a primeira carta de João. Outra direção para nossa vida e nossa caminhada nesta grande cidade! Viver os mandamentos, amarmos a Deus e, consequentemente, amarmos o próximo, lembrando-nos de como Cristo explicou o que significa “amar o próximo” na parábola do bom samaritano.

Do Evangelho deste domingo, entre tantos sinais escolho dois que Ele nos aponta para colocarmos em prática: primeiro, o envio para semearmos a paz – “Como o Pai me enviou, também eu vos envio”, e isso traz presente todo o histórico do “evento” de Aparecida, que se traduziu num dos documentos mais importantes deste início de milênio, recordando-nos que como discípulos somos também missionários para anunciar a todos, com renovado ardor, o Evangelho do Cristo. A Missão continental pedida pelo Documento de Aparecida deve se traduzir em atitudes concretas em nossas vidas, paróquias e arquidiocese.

O segundo sinal que aparece no Evangelho deste domingo é o perdão, a misericórdia que hoje celebramos: “a quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados”! Somos chamados a ser uma Igreja que reconcilia, perdoa, ama e por isso mesmo, misericordiosa, e que, mesmo sem renunciar aos princípios que nos norteiam, antes de tudo anuncia a Boa Nova ao mundo com alegria e coragem!

Irmãos e Irmãs, filhos desta grande Arquidiocese: o nosso primeiro trabalho será a elaboração do novo Plano de Pastoral, que deverá retratar as necessidades de todos na missão de pastorear essa grande cidade, que tem o direito de ver em nós sinais da presença de Deus e suas consequências! Convido a todos e a todas para que nos irmanemos e todos tragam seus dons e carismas, como muitos já têm feito, na elaboração do direcionamento pastoral que agora iniciamos.

Abraço a todos com carinho e formulo os meus votos de paz: “A Paz esteja convosco”.

Dom Orani João Tempesta

Tags:

leia também