Unidos em oração pedimos o Espírito Santo! 

Dom Anuar Battisti
Arcebispo Emérito de Maringá (PR) 

 

Passados 50 dias da Páscoa chegamos a clausura do Tempo Pascal que se dá com a celebração da Solenidade de Pentecostes. O tema deste domingo é, evidentemente, o Espírito Santo. Dom de Deus a todos os crentes, o Espírito dá vida, renova, transforma, constrói comunidade e faz nascer o Homem Novo. 

Se, num certo sentido, todas as solenidades litúrgicas da Igreja são grandes, maior é o Pentecostes porque, chegando ao quinquagésimo dia, assinala o cumprimento do acontecimento da Páscoa, da morte e ressurreição do Senhor Jesus, através da dádiva do Espírito do Ressuscitado. Para o Pentecostes, a Igreja preparou-nos nos dias passados com a sua oração, com a invocação reiterada e intensa a Deus, para alcançar uma renovada efusão do Espírito Santo sobre nós. Assim, a Igreja reviveu aquilo que acontecera nas suas origens quando os Apóstolos, reunidos no Cenáculo de Jerusalém, “perseveravam unanimemente na oração com as mulheres, entre as quais Maria, mãe de Jesus, e os irmãos dele” (At 1, 14). Estavam congregados na expectativa humilde e confiante, que se cumprisse a promessa do Pai, a eles comunicada por Jesus: “Vós sereis batizados no Espírito Santo, daqui a poucos dias… descerá sobre vós o Espírito Santo, que vos dará a sua força” (At 1, 5.8). 

O Evangelho – Jo 20,19-23 – apresenta-nos a comunidade cristã, reunida à volta de Jesus ressuscitado. Para João, esta comunidade passa a ser uma comunidade viva, recriada, nova, a partir do dom do Espírito. É o Espírito que permite aos crentes superar o medo e as limitações e dar testemunho no mundo desse amor que Jesus viveu até às últimas consequências. Os discípulos, reunidos com portas fechadas por medo dos judeus, recebem a visita do Ressuscitado, que lhes deseja a paz e os envia em missão. Três são os dons transmitidos: a paz, a alegria e o Espírito Santo. 

Na primeira leitura – At 2,1-11 –, Lucas sugere que o Espírito é a lei nova que orienta a caminhada dos batizados. Enquanto em Babel ninguém se entendia, em Atos dos Apóstolos há um clima de alegria e todos entendem a mensagem em sua própria língua. O Espírito Santo promove e anima o anúncio do Evangelho a todos os povos, cada qual com suas especificidades culturais. É Ele que cria a nova comunidade do Povo de Deus, que faz com que os homens sejam capazes de ultrapassar as suas diferenças e comunicar, que une numa mesma comunidade de amor, povos de todas as raças e culturas. 

Na segunda leitura – 1Cor 12,3-7.12-13 –, Paulo avisa que o Espírito é a fonte de onde brota a vida da comunidade cristã. É Ele que concede os dons que enriquecem a comunidade e que fomenta a unidade de todos os membros; por isso, esses dons não podem ser usados para benefício pessoal, mas devem ser postos ao serviço de todos. Os vários dons, tarefas e ministérios suscitados pelo Espírito Santo contribuem para o crescimento harmonioso da comunidade. O Espírito provoca unidade na diversidade.  

Deus é sempre fiel às suas promessas não deixando órfã a comunidade dos discípulos, mas derramando sobre os cristãos o Espírito Santo, o Paráclito, a terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Essa manifestação divina revela a riqueza da vida nova proposta pelo Ressuscitado, tanto na missão discipular quanto na maneira de acolher a graça divina. 

O Espírito Santo é apresentado como o dom diretamente ligado à vitória de Cristo sobre a morte. O sopro do Senhor, acompanhado da palavra “recebei o Espírito Santo” (Jo 20,22b), é, para nós, a realidade viva da fé, que recria a humanidade, purificando-a do pecado e renovando-a pelo poder divino! 

Vem Espírito Santo de Deus! Peçamos os dons do Espírito Santo! 

 

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