Dom José Gislon
Bispo de Caxias do Sul (RS)
Queridos irmãos e irmãs em Cristo Jesus! O anúncio do Evangelho de Jesus Cristo é a missão primeira da Igreja, lembrando que o próprio Jesus, o Filho enviado pelo Pai, veio anunciar a Boa Nova do Reino de Deus. Mas o fez olhando a realidade da vida das pessoas que encontrou pelo caminho, tendo presente suas dores, angústias, alegrias e esperanças. Por isso, a nossa missão como Igreja não pode estar longe da realidade da vida do nosso povo. Mesmo nos dias atuais, com tantas contradições, a missão do anúncio do Evangelho deve ser acompanhada pelo testemunho do amor-caridade, que sabe ver os caídos à margem do caminho, ouvir seus lamentos, curar e enfaixar suas feridas, para que possam retomar o caminho da vida, com dignidade.
Neste domingo a Igreja celebra com seus filhos e filhas a Solenidade litúrgica de Pentecostes: a vinda do Espírito Santo. O Evangelho de São João (Jo 20,19-21) relata que o Senhor Jesus, antes de mostrar aos discípulos as mãos feridas pelos cravos e o lado aberto pela lança, desejou-lhes a paz. Depois enviou-os em missão, mas, antes que partissem, os fortaleceu com o Espírito Santo.
Da manifestação do Espírito Santo nasce a Igreja, uma Igreja que é mãe e que vive a sua maternidade com jovialidade, mesmo levando no rosto as marcas do tempo e as cicatrizes das feridas de dois mil anos de missão. A mãe Igreja, guiada pelo Espírito Santo, revela ao mundo e no tempo a sua maternidade, através da ação missionária. Mas para ser missionária, ela precisa ser uma Igreja “em saída”. O Papa Francisco afirmava: “prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada, por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças…” A saída exige “prudência e audácia”, “coragem e ousadia” (EG). Na sua ação evangelizadora, a Igreja precisa de discípulos que tenham ardor missionário e, ao mesmo tempo, vínculo efetivo e afetivo com a comunidade dos que descobriram o fascínio pelo Senhor pregado e morto na cruz, mas ressuscitado.
Em uma de suas meditações, o Papa Francisco mencionava que é preciso sermos fiéis ao Espírito, “para anunciarmos Jesus com nossa vida, com o nosso testemunho e com as nossas palavras…Quando fazemos isso, a Igreja se torna uma mãe que gera filhos”. A maternidade da Igreja deve revelar aos seus filhos o rosto da ternura e da misericórdia de Deus, através do amor que se faz doação para com os que buscam esperança e consolo, nas alegrias e incertezas da vida.
A Igreja, videira de abundantes frutos, podada através das tribulações, fecundada ao longo da história pelo sangue dos mártires, percorre o caminho de conversão no tempo, guiada pelo Espírito Santo. Através da sua ação missionária, ela convida seus filhos e filhas a participarem, nessa caminhada de salvação, promovida pelo amor do Pai, através do seu Filho encarnado, com a força do Espírito Santo.
