Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba (MG)

 

Toda construção depende de fundamento sólido para lhe dar firmeza e sustentação. A Sagrada Escritura diz que, casa construída sobre areia, acaba caindo (cf. Mt 7,24). A Igreja, organizada como espaço onde as pessoas crentes expressam seus compromissos de fé e a prática do Evangelho, tem seu fundamento apoiado nas pessoas de Pedro e Paulo, apóstolos que deram a vida pela causa de Jesus. 

Esses dois apóstolos, peregrinando por caminhos diferentes, mas apoiados na mesma fé, indicados pelo próprio Cristo, estão nos fundamentos da instituição Igreja Católica Apostólica Romana. Os dois tiveram a mesma sorte do martírio, por causa da fé no Mestre Jesus. Hoje encontram-se sepultados em duas Basílicas Maiores, em Roma, e venerados como colunas de sustentação da Igreja.  

Pedro está na base da instituição eclesial, conforme dizem as palavras de Jesus, ao se referir a Simão, tu és Pedro e sobre ti construirei a minha Igreja (cf. Mt 16,18).  Jesus o chama de pedra, daquilo que dá solidez e sustentação para uma construção. Paulo apresenta outra realidade da Igreja, a missionariedade, chamado de apóstolo dos gentios. Assim a Igreja é instituição a serviço da missão. 

Pedro e Paulo estavam presentes na Igreja nascente, tempo de perseguição, de medo e de violência. Por causa da fé em Cristo, vários dos apóstolos tiveram o caminho do martírio. Derramaram o sangue para fecundar a missão da Igreja. O martírio não significa fraqueza da instituição, mas consolida seu papel de evangelizar e anunciar os objetivos da fé em Deus, a defesa da vida humana. 

A vida passa e a história fica gravada para a posteridade. Hoje, olhando para o passado, visualizamos as importantes figuras de Pedro e Paulo, cumpridores fieis da missão que Deus confiou a eles, e deixaram um legado significativo de testemunho de missão e fé, que está registrado, ainda hoje, e presente na mente dos cristãos. Isto é sinal de que a vida humana não acaba com sua morte física. 

A vida dos apóstolos foi marcada por grandes desafios. O cenário era de muita incredulidade, desconfiança e de maldade. Além disso, estava em jogo o acreditar na identidade de Jesus, justamente daquele a quem defendiam. Mas eles tinham esta certeza, como afirma o apóstolo Pedro: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo” (Mt 16,16). Com isto, Jesus chama Pedro de bem-aventurado. 

  

 

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