O Regional Leste 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Leste 2) estuda firmar uma parceria missionária com a diocese de Canelones, no Uruguai. Durante a Assembleia do Conselho Episcopal Regional (Conser), realizada na última semana, em Belo Horizonte (MG), foi apresentada a realidade da diocese uruguaia e a proposta de Missão Ad Gentes.
Os bispos conversaram com dom Maurício Silva Jardim, bispo de Rondonópolis-Guiratinga (MT) e presidente da Comissão Episcopal para a Ação Missionária e a Cooperação Intereclesial da CNBB, e com dom Heriberto Andrés Bodeant Fernández, bispo de Canelones, no Uruguai, e puderam aprofundar a proposta feita a convite do bispo uruguaio.

Terra de missão
Marcado pela fama de país mais secularizado da América Latina, o Uruguai tem metade da população que se declara sem religião. Isso é resultado de um longo processo iniciado no final do século XIV, resultando numa sociedade em que o fenômeno religioso foi sendo reduzido da vida pública. Em Canelones, somente 34% da população se declara católica.
O número de praticantes tem baixo percentual, mas que se mantém. Tem crescido o número de adultos que pedem o batismo, o que é uma esperança para o bispo.
A diocese de Canelones tem 608.956 habitantes, e conta com 34 paróquias. Mas 16 delas não tem pároco residente. Vários sacerdotes dividem seu tempo para atender as comunidades.
De acordo com a partilha de dom Heriberto, entre 2024 e 2025, dois párocos que estavam em plena atividade faleceram.
Já no seminário interdiocesano, há somente um seminarista que iniciou seu ultimo ano de formação. Um outro jovem ingressou neste ano e outros estão sendo acompanhados no caminho vocacional.
“Tudo isto permite chamar o Uruguai como ‘Terra de missão'”, resumiu dom Maurício Jardim.

Missão Ad Gentes
Segundo a Comissão para a Ação Missionária e a Cooperação Intereclesial da CNBB, a Missão Ad Gentes é definida pelas palavras de Jesus “Ide, pois, e fazei discípulos todos os povos” (Mt 28, 19). A partir do Concílio Vaticano II, o conceito é designado pelo termo cooperação missionária
“Esse termo faz referência ao compromisso das Igrejas particulares com a missão universal, referindo-se aos serviços recíprocos entre as Igrejas particulares e à projeção delas para além de suas próprias fronteiras”, explica a Comissão.
O envio de missionários, sejam presbíteros, diáconos, seminaristas, consagrados e consagradas e cristãos leigos e leigas, é entendido como o “sinal mais expressivo da cooperação missionária e o componente mais importante do projeto de Missão Ad Gentes”.
Esse envio deve seguir critérios:
✓ O discernimento na escolha de missionários Ad Gentes;
✓ A preparação do missionário;
✓ A manutenção econômica das pessoas enviadas;
✓ O acompanhamento às pessoas enviadas;
✓ Temporalidade e continuidade do Projeto.
Luiz Lopes Jr
