Representantes do Setor Música Litúrgica da Comissão para Episcopal para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) participaram, de 6 a 10 de julho, do Encontro Internacional da Associação Universa Laus de Música Litúrgica, em São Paulo (SP).
A Universa Laus é uma associação de liturgistas e músicos, fundada na Suíça, em 1966, pelo padre Joseph Gelineau, para implementar na música as reformas que o Concílio Vaticano II propôs para a liturgia. Trata-se da primeira vez que o encontro acontece na América Latina.
Tema e experiências
O tema deste encontro foi a “inculturação da música litúrgica”. O ponto de partida foram as referências dos documentos do Concílio Vaticano II (Lumen Gentium, Gaudium et Spes, Sacrosanctum Concilium). Durante o encontro, foram apresentados exemplos de inculturação da música litúrgica na República Democrática do Congo, no Vietnam, na Áustria, e no Vale do Jequitinhonha – Minas Gerais.
O bispo da diocese de Bonfim (BA) e presidente da Comissão para a Liturgia da CNBB, dom Hernaldo Pinto Farias, também participou junto aos membros das equipes de reflexão da Comissão: Márcio Almeida, frei Joaquim Fonseca e padre Márcio Pimentel, além de músicos liturgistas de vários lugares do Brasil, da Inglaterra, França, Eslováquia, Suíça, Áustria, Congo, Vietnam e Bélgica.
Princípios conciliares
Um ponto bastante aprofundado pelos conferencistas foi a necessidade de conhecer e praticar os princípios conciliares, para concretizar a participação do povo pelo canto. “As formas clássicas servem de inspiração, de como ligar a Sagrada Escritura e o rito na música, em formatos culturais acessíveis às assembleias celebrantes”, apontou o padre Jair.
“Constatou-se que é fundamental usar de sensibilidade para captar o que as culturas locais têm de comum com a fé cristã, para a partir disso criar propostas de integração dos elementos culturais locais na liturgia. Um elemento a destacar desta reflexão é a dinâmica da revelação: o próprio Deus se faz presente através das linguagens humanas”, apontou o padre Jair.
Outro ponto destacado pelo padre Jair foi que nas palestras, convivência e celebrações em várias línguas (português, inglês, francês e alemão), os participantes viveram a experiência de um grande Louvor Universal, na unidade da liturgia da Igreja e na pluralidade das línguas.
Padre Jair reforçou um aprendizado feito pelos participantes: “é importante compreender a inculturação na música litúrgica a partir do mistério da Encarnação, vivenciar a liturgia como espaço de acolhimento e abertura às diferenças, e reconhecer os tesouros que enriquecem a música e a fé das assembleias do povo de Deus nas diversas culturas”.
Por Willian Bonfim com informações e fotos do padre Jair
