O lema da Campanha da Fraternidade afirma que a paz é fruto da justiça (Is 32,17). Dos belos discursos de conscientização sobre a realidade devemos passar às práticas que superem a violência e gerem a paz. O problema sério é que muitos se prontificam a sugerir atitudes pró-ativas, mas poucos se envolvem de corpo e alma, assumindo atitudes e atividades que fazem a diferença. Aqui lembramos algumas epidemias sociais multiplicadoras da violência, bem como a sua superação.
Primeiro, a epidemia dos abusos e exploração sexual, somando-se depois à prostituição infanto-juvenil. A prática do abuso sexual ganhou configurações inacreditáveis porque se tornou uma “prática doméstica”. A “domesticação” dessa prática deve-se, em boa parte, à divulgação do erotismo, além da facilidade de acesso aos sites pornográficos. O abuso sexual traumático é praticado por adultos erotizados. Sem escrúpulos, a prática é feita “dentro de casa”.
Diariamente a mídia divulga casos de pedofilia (considerando práticas com crianças) ou de efebofilia (considerando práticas com adolescentes). Não seria uma repercussão de iniciação precoce, provocada entre familiares ou pessoas próximas? Quem tem coragem de realizar um trabalho pedagógico de prevenção e combate a tal prática malsã? Quem empreendesse um trabalho de prevenção seria acusado de querer a volta da censura, ou mais um repressor das liberdades?
Segundo, a epidemia das drogas. Hoje, a droga penetra como praga, disseminada, sobretudo, nos ambientes preferidos pelos adolescentes e jovens, incluindo escolas onde praticamente as coisas vivem soltas, sem disciplina e vigilância. Não basta a existência de conselhos municipais de prevenção e combate ao uso e tráfico de drogas, mas de uma atuação efetiva. Ora, os pais encontram dificuldades imensas para educar seus filhos! Desmoralizados, não sabem como fazer para prevenir os seus filhos da iniciação com drogas. O que dizer de recuperar filhos que embarcam nessa e, pior, no mundo do crime?
Os “Comad’s” (conselhos antidrogas) servem para atuar. Não podem ser entidades fantasmas. Servem para ajudar os pais e toda a sociedade. A Polícia Militar desenvolve um programa de erradicação do uso de drogas, o Proerd, aceitando parcerias com prefeituras. Trata-se de módulos trabalhados com crianças, a partir dos nove anos, e com adolescentes. Realizando incursões nas escolas, atingem também os pais ou responsáveis. Eis porque os Conselhos antidrogas devem funcionar. Hoje, fico por aqui, deixando outras sugestões sobre cursos profissionalizantes para adolescentes.
