Comissão Especial de Bioética da CNBB debate desafios atuais e planeja novos subsídios para defesa da vida

A Comissão Especial de Bioética da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) esteve reunida nesta segunda-feira, 9 de fevereiro, na sede da Conferência em Brasília (DF), para a avaliação das ações desenvolvidas no último ano e o planejamento das atividades para o próximo biênio. Entre os encaminhamentos discutidos estão a produção de novos subsídios formativos, materiais em vídeo sobre temas emergentes e a possibilidade de elaboração de um novo documento de bioética a ser submetido ao Conselho Permanente da CNBB.

A Comissão tem a missão de assessorar a Presidência da CNBB e os bispos do Brasil diante de questões éticas relacionadas à defesa e promoção da vida humana. É presidida pelo bispo auxiliar de Curitiba, dom Reginei Modolo, e é composta por professores de universidades católicas, integrantes da Associação Brasileira de Médicos Católicos, do Conselho Nacional de Saúde, da Associação dos Juristas Católicos, entre outros especialistas.

A Igreja como referência ética

Na abertura da reunião, o presidente da CNBB, dom Jaime Spengler, destacou o papel da Igreja como espaço de referência ética em meio às transformações culturais contemporâneas.

Segundo ele, a ética diz respeito à “casa do humano”, ao modo como a sociedade compreende e delimita a dignidade da pessoa.

“Compreender a casa do humano hoje se tornou um grande desafio para toda a sociedade. Vivemos uma crise antropológica profunda, com valores que sustentaram nossa cultura entrando em crise”, afirmou.

Dom Jaime observou ainda que, apesar das críticas, a Igreja continua sendo reconhecida socialmente como uma reserva ética. “Isso nos traz uma grande responsabilidade. A sociedade ainda nos respeita e espera de nós uma palavra consistente, psicológica, filosófica e eticamente fundamentada”, disse, lembrando também os novos desafios trazidos por temas emergentes, como a inteligência artificial.

“A vida é sempre um bem”

Presidente da Comissão Especial de Bioética, dom Reginei Modolo, bispo auxiliar de Curitiba, conhecido como dom Zico, reforçou que a missão central da Comissão é afirmar, em todas as circunstâncias, o valor inviolável da vida humana.

“A nossa missão principal é concretizar aquilo que o documento do Dicastério para a Doutrina da Fé recorda: a vida é sempre um bem. Não importa idade, condição social, origem ou situação de vulnerabilidade, a vida é sempre um bem e precisa ser cuidada e defendida”, explicou.

De acordo com ele, o trabalho envolve tanto a conscientização e a formação quanto posicionamentos públicos quando a dignidade humana está ameaçada.

“Percebemos o risco de algumas vidas serem consideradas menos importantes ou descartáveis. Queremos atuar justamente para que isso não aconteça, promovendo uma visão positiva e integral da vida”, acrescentou.

Próximos passos

Para os próximos anos, a Comissão pretende investir na produção de vídeos e subsídios formativos sobre temas considerados prioritários, além de acompanhar propostas legislativas que possam fragilizar a proteção da vida.

Também está prevista uma maior articulação com a Pastoral Familiar e outros organismos da Igreja, ampliando a capilaridade das orientações bioéticas nas dioceses. Além disso, a Comissão continuará oferecendo pareceres técnicos solicitados pela presidência da CNBB e por bispos diante de situações específicas.

Outro ponto em estudo é a elaboração de um novo documento de bioética, que possa atualizar e orientar a atuação da Igreja no Brasil frente aos desafios contemporâneos.

“Nosso serviço é ajudar a Igreja a anunciar, de modo concreto, a beleza do Evangelho da vida, especialmente onde ela está mais ameaçada”, concluiu dom Reginei.

Ao longo do dia, os membros da Comissão também participaram de momentos de oração e celebração da missa junto com os colaboradores da sede da CNBB.

Por Larissa Carvalho | Fotos: Paulo Augusto Cruz

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