O Papa Leão XIV enviou uma carta que foi lida pelo Núncio Apostólico no Brasil, dom Giambatistta Diquattro, na plenário Ulysses Guimarães na Câmara dos Deputados nesta terça-feira, 3/3, na sessão solene que marca a celebração do bicentenário de relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé.
Na mensagem, o Santo Padre reforça que a celebração ressalta a longevidade de uma amizade autêntica, que soube adaptar-se às grandes transformações sociais e políticas ocorridas tanto no país quanto no mundo, evidenciando a robustez deste vínculo e também o “empenho diligente – e muitas vezes silencioso – de diplomatas e eclesiásticos” que ao longo dos 200 anos colaboraram para aprofundar esta relação.
O Sumo Pontífice destacou ainda, no documento, a tradição diplomática que caracteriza o Brasil que, segundo ele, é uma nação marcada, já nos seus inícios, pelo respeito à fé católica transmitida de geração em geração no seio do povo e a contribuição da Igreja Católica Igreja exerceu no Brasil:
“Nessas terras um papel decisivo no âmbito educativo, cultural e moral, contribuindo, a partir dos preceitos do Evangelho, para a formação de identidades locais, para a difusão de valores éticos comuns e para o debate público sobre temas de mútuo interesse, como a justiça e o bem comum”.
Veja, abaixo, a íntegra do documento e a versão em PDF (aqui).
Aos distintos participantes na Sessão Extraordinária em comemoração do Bicentenário das relações diplomáticas entre a Santa Sé e o Brasil
É com grande alegria que elevo a minha ação de graças aos Céus pelo bicentenário das relações entre a Santa Sé e o Brasil, marco de singular importância para a nação brasileira e para a Igreja. Esta celebração ressalta a longevidade de uma amizade autêntica, que soube adaptar-se às grandes transformações sociais e políticas ocorridas tanto no país quanto no mundo, evidenciando a robustez deste vínculo. Tal ocasião oferece igualmente a oportunidade de recordar o empenho diligente — e muitas vezes silencioso — de diplomatas e eclesiásticos que, desde 1826, sucedendo a Mons. Francisco Corrêa Vidigal e Dom Pietro Ostini, contribuíram para alicerçar uma relação tão profunda e vigorosa.
A tradição diplomática que caracteriza a nação brasileira é marcada, já nos seus inícios, pelo respeito à fé católica transmitida de geração em geração no seio do povo. No período colonial, a Igreja exerceu nessas terras um papel decisivo no âmbito educativo, cultural e moral, contribuindo, a partir dos preceitos do Evangelho, para a formação de identidades locais, para a difusão de valores éticos comuns e para o debate público sobre temas de mútuo interesse, como a justiça e o bem comum. Vale destacar que o fim da interdependência jurídico-religiosa entre Igreja e Estado não significou a ruptura ou o enfraquecimento das relações, mas sim o aperfeiçoamento de uma parceria que se mostrou firme e enriquecedora para ambas as partes.
Além disso, ao festejar este bicentenário, é oportuno assinalar que, nas mudanças de época e até nos períodos mais desafiadores, Brasil e Santa Sé permaneceram ao lado daqueles que defendiam os princípios fundamentais da dignidade humana, atuando em diversas frentes para afirmar a relevância essencial do diálogo e da diplomacia multilateral na construção de um mundo mais justo para todos. Esta trajetória conjunta, que não se distingue por ser apenas uma aliança institucional, significa um compromisso recíproco com a promoção da paz e da concórdia, o socorro aos mais pobres e desvalidos e o cuidado com a nossa casa comum, demonstrando a consciência de uma responsabilidade que ultrapassa fronteiras e circunstâncias conjunturais.
Por tudo isso, é meu sincero desejo que a comemoração desta festiva efeméride possa, lembrando o passado, inspirar um futuro de colaboração ainda mais profícua. Faço votos, outrossim, que esta comunhão prossiga traduzindo-se em manifestações concretas da sua solidez, tal como aconteceu no ano de 2008, com a assinatura do Acordo entre a Santa Sé e o Brasil. Continuem os laços diplomáticos que nos unem a garantir aquela liberdade religiosa da qual a Igreja desfruta no amado Brasil e que constitui um dos pilares irrenunciáveis de toda democracia plenamente consolidada. O bicentenário que estamos comemorando confirma que a Santa Sé tem no Brasil um parceiro privilegiado para alcançar estes propósitos.
Sendo assim, como penhor dos mais abundantes favores celestiais, invoco a intercessão de Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, e concedo de bom grado a toda a população brasileira, especialmente a quantos participam nessa sessão solene, a Bênção Apostólica.
Vaticano, 11 de fevereiro de 2026
Leo PP. XIV
Assista a sessão na íntegra:
