
A Celebração Eucarística com Vésperas marcou o início da noite desta segunda-feira (20) no Santuário Nacional de Aparecida, em São Paulo, reunindo bispos e fiéis em um momento de oração, memória e esperança, no contexto da 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (AG CNBB).
A Missa foi presidida pelo arcebispo da Arquidiocese de Campinas (SP), dom João Inácio Müller, e concelebrada por dom Jaime Pedro Kohi, dom Eduardo Malaspina, dom Jacinto Bergmann, dom Gregório Paixão e dom Roberto Francisco Paes.
A celebração teve como intenção especial o sufrágio pelos arcebispos e bispos falecidos ao longo do último ano, confiando-os à misericórdia de Deus. Logo no início da homilia, dom João Inácio destacou o sentido espiritual desse momento, afirmando que a Igreja eleva ao Senhor suas preces por aqueles que nos precederam na fé. Segundo o prelado, trata-se de fazer memória de suas histórias à luz da Páscoa, contemplando a fecundidade de vidas inteiramente dedicadas ao Evangelho, pois “Deus não esquece de nada, tudo Ele recolhe”.
Refletindo sobre o Evangelho proclamado, o arcebispo chamou atenção para as diferentes motivações da multidão que buscava Jesus. Ele explicou que há uma busca superficial, voltada às necessidades imediatas, e outra mais profunda, que se abre à escuta e ao sentido da vida. Nesse contexto, ressaltou o convite de Cristo a trabalhar não pelo alimento passageiro, mas pelo que permanece para a vida eterna, recordando que o verdadeiro pão é a própria vida de Jesus, oferecida por amor ao Pai e aos irmãos.
Eucaristia é realidade transformadora
Dom João Inácio também aprofundou o sentido da Eucaristia, destacando que ela não é apenas símbolo, mas realidade transformadora. “Nela, o próprio Cristo se oferece como alimento que sustenta e transforma a existência”, afirmou, ao explicar que comungar é deixar-se assimilar por Cristo, passando a viver não mais para si, mas para Deus e para os outros.
Ao recordar o testemunho dos pastores falecidos, o arcebispo fez referência à figura de Santo Estêvão, apresentada na primeira leitura, como exemplo de fidelidade até a entrega total. Ele destacou que a serenidade do mártir reflete a presença de Deus em sua vida, realidade também percebida em tantos bispos que, mesmo diante das dificuldades do ministério episcopal, permaneceram firmes e enraizados em Cristo.
A reflexão também abordou o sentido cristão da morte. Inspirado no ensinamento de São João Paulo II, dom João Inácio recordou que, sem Cristo, a morte se apresenta como fim, mas com Ele se torna passagem. Assim, afirmou que a memória dos arcebispos e bispos falecidos é vivida como um acontecimento pascal, inserido na esperança da ressurreição.
Por fim, dom João Inácio ressaltou que a esperança cristã não nasce das circunstâncias, mas da fidelidade de Deus, sendo uma esperança que não decepciona. Confiando os falecidos à intercessão de Nossa Senhora, pediu que todos perseverem na fé, para que, ao final da caminhada, sejam acolhidos na alegria eterna.
Antes da bênção final, voltados para a imagem da Virgem Maria Santíssima, os fiéis renovaram a Consagração a Nossa Senhora da Conceição Aparecida.
Por Sara Gomes - Comunicação 62ª AG CNBB


